aquele ali sou eu andando dentro das ruínas do teatro municipal tibiriçá, em são joão marcos (RJ). fica a uma hora mais ou menos de mangaratiba. entre angra e mangaratiba.
disseram-me que até sergio cardoso encenou uma peça ali.
curioso, porque ao longe dá para ouvir as vacas mugindo.
é um teatro quase rural.

isso bem antes de getúlio vargas mandar destruir toda a cidade de são joão marcos, a dinamite e golpes de marreta, em 1941. era para ser alagada por uma represa, mas a água não veio e a cidade, que chegou a ter 40 mil habitantes (teve 20 mil habitantes no século 19, e foi um dos orgulhos do rio de janeiro), ficou 70 anos soterrada e esquecida (ainda há moradores vivos).

aí, arqueólogos escavaram e descobriram partes da igreja, uma ponte, muros de pedra, casas em pedaços, ruas, praças, monumentos, e as fundações e o tablado do teatro municipal tibiriçá.
aí surgiu a idéia de fazer um parque arqueológico, o primeiro de uma cidade inteira no Brasil. o parque foi aberto para visitação há 7 meses.

estivemos lá no meio das férias.
o teatro tibiriçá tem uma arquitetura incomum, parece uma igreja.
quanto mais escavam por ali, mais descobrem detalhes.
há uma rede subterrânea de esgotos, toda de pedra, que parece aquela das catacumbas de paris.

tentei saber algo sobre o teatro tibiriçá, construído para o entretenimento das famílias dos barões do café, mas pouco consegui.
imaginei escrever aqui uma protopeça, uma historieta com uma trupe ziembinskiana passando uns dias na cidade e encenando uma peça do jean genet ou um texto do artaud.
fica para outro dia, agora falta pouco para retornar ao batente.

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