magnifica obra de anish kapoor no milennium park, em chicago

Em Chicago desde o meio-dia. Vim para o Lollapalooza, festival histórico americano que era itinerante e há três anos está instalado no Grant Park dessa cidade louca, de onde se vê o Lago Michigan, que vai dar lá no Canadá. Tem Radiohead, Gnarls Barkley, Wilco, Cat Power, Raconteurs, MGMT, The Whigs, CSS, entre uma centena de nomes.

Passeando pela cidade, encontro um velhote figura, um frangalho da extrema direita americana, fazendo passeata solitário de homem-sanduíche com um megafone e com placas na frente e atrás do corpo, onde se lia que Obama nunca ocupou um cargo majoritário na vida, “então por que devemos colocá-lo no cargo mais alto dos Estados Unidos?”. O medo é irracional, o medo dos fantasmas é ainda mais patético. Tem um ou outro miolo-mole, mesmo no Brasil, que compartilha dessa paranóia.

Aí descobrimos que haverá um show gratuito logo mais na loja da Apple, de computadores – nada menos do que duas das mais badaladas bandas da atualidade, os garotos do Black Kids, de Jacksonville, Flórida, e os ainda mais garotos do Foals, da Inglaterra. Além deles, tocaria o The Kills. Para assistir, bastava ficar na fila, que nem era tão grande.

O Black Kids, liderado pelo vocalista e guitarrista Reggie Youngblood, que tem cara de samoano, é cool, bacaninha, a voz de Reggie gostaria de ser a voz de Robert Smith, do The Cure (e nisso ele se parece com o Bloc Party). Pouco antes do show, encontramos o figuraça do Youngblood na rua, ouvindo um guitarrista de rua tocando, e ele era a única pessoa na platéia.

Mas quem está virado, possuído mesmo, é o grupo The Foals. Em certos momentos, lembra o Radio 4, de Nova York, mas tem uma energia e os instrumentistas são tão pilhados que acirra os ânimos da moçada. Muito garotos, os Foals jogaram guitarra na parede, bateram com baqueta no microfone, tocaram fogo na tarde. Saíram pelo meio da platéia para beijar os roadies. Depois deles, não tive mais paciência para os Kills e me mandei.

Tenho fotos, mas não tô conseguindo postar. Amanhã eu conto mais, amanhã tem Radiohead.

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

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