mais um momento de polarização “velhos”-“novos”, no livro “a canção do mago – a trajetória musical de paulo coelho“, de hérica marmo:

“Além do elenco estelar, a Phonogram se diferenciava das outras companhias por ser uma empresa jovem. Nos anos 70, ainda não era tão comum no meio valorizar a força de trabalho de pessoas que compensavam a pouca experiência com muito gás e profusão de idéias. André Midani apostava suas fichas no novo. Não só na hora de contratar funcionários, mas nos seus lançamentos fonográficos. À frente do seu tempo, Midani achava engraçado, quando ouvia de gerentes das tradicionais companhia que o sucesso de iniciantes como Rita Lee não significava nada. Seguro mesmo era ter em seus quadros figurões como Silvio Caldas, com uma carreira consolidada. Enquanto a concorrência olhava para o passado, a Phonogram, que começara pequena, aumentava cada vez mais sua participação no mercado. Sempre dando espaço pasra os futuros ídolos”.

bem, é necessário observar que ao longo das décadas seguintes as gravadoras daqui foram perdendo progressivamente a conexão com esse tipo de ideologia? é necessário ressaltar o nexo entre essa desistência e o rumo que aquela história tomou?

e, pegando agora um atalho, é mesmo necessário que os “velhos” estejam sempre obcedados por anular os “novos”?, e que os “jovens” sonhem dia e noite com o extermínio dos “antigos”?

e se a gente tomar tento do fato de que, necessariamente, o “novo” (de hoje) É o “velho” (de amanhã), e vice-versa? se me permite uma sugestão, ouça o que vovó já dizia…, ouça o que se disse ind’outro dia lá no mangue (bit) pernambucano, que “o que era velho no norte/ se torna novo no sul”…

ah, e por falar em “norte” e “sul”, você já ouviu os sons novovelhos que vêm vindo do norte (do brasil)? lá, hoje em dia, há os “novos paraenses”, aquela profusão riquíssima de roqueiros repletos de universalidade & florestania, misturados à beira da vertigem a um riozão de tecnobrega e a uma comissão de frente de “velhos” mestres da guitarrada, tipo o impagável verequete (obrigado pela dica, companheiro miranda!). já ouviu?, já pensou ouvir?

e já ouviu, do mangue pernambucano, o crossover brega-chique espetacular da academia da berlinda, do grupo mula manca & fabulosa figura? eu fui travar contato com esses “novos” sons também lá em belém, e não tenho querido ouvir outra coisa. ou melhor, entre um’a euterpia, um norman bates e uma suzana flag, também tenho encontrado “tempo” para dar ouvidos embasbacados a um veterano morador lá de fortaleza, ceará, o velho e nobre waldick soriano, samba carioca de raiz, blues do delta do mississippi, buena vista social club, jazz’n’roll, fandango sulista e soul da motown, tudo junto reunido num “cafona” só.

e isso tudo sem nem mencionar o raul seixas nem a clara nunes, né?

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Editor de FAROFAFÁ, jornalista e crítico musical desde 1995, autor de "Tropicalismo - Decadência Bonita do Samba" (Boitempo, 2000), "Como Dois e Dois São Cinco - Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa)" (Boitempo, 2004) e "Álbum" (Edições Sesc, 2021-2026)

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