Eliane Caffé: cineasta, mulher, militante

Diretora experiente de Kenoma (1998), Os Narradores de Javé (2002), O Sol do Meio-Dia (2009) e Céu sem Eternidade (2011), a cineasta paulistana Eliane Caffé fala abaixo sobre a experiência polifônica de construir Era o Hotel Cambridge (leia reportagem completa na edição 944 da revista CartaCapital) - e sobre arte, feminismo, política e ativismo.   Pedro Alexandre Sanches: O modo como o filme mistura ficção e...

Ava Patrya Yndia Yracema Gaitán Rocha Pedra Brasil

O nome completo é obra dos pais da moça de 37 anos: Ava Patrya Yndia Yracema Rocha. Filha do cineasta baiano Glauber Rocha (1939-1981) e da multiartista nascida parisiense Paula Gaitán, a carioca Ava Rocha herdou do pai cinemanovista os muitos Ys e da mãe colombiana-brasileira o pendor multidisciplinar. A voz grave ela tem distribuído pelos discos Diurno (2011, quando Ava era não ela, mas uma banda) e Ava...

‘Rogue One’, a solidão nas estrelas

FAROFAFÁ viu o novo Star Wars e conta tudo a respeito - mas sem deslealdade com o espectador Há algo de muito trágico e romântico nas estrelas. Mas não é apenas isso: o novo filme da franquia Star Wars, Rogue One, é talvez o mais político entre os esforços da LucasFilm até hoje filmados. O enredo é simples, como no faroeste...

Uma cidade, dois países

O cinema na cidade de São Paulo circula entre dois países imaginários que coexistem, um chamado Shopping Center e outro chamado Periferia. A empresa denominada Spcine, criada há dois anos sob os moldes da política cultural do prefeito Fernando Haddad (PT) trouxe a olho nu esses dois países que se desencontram num mesmo espaço público-privado. A definição é do gestor...

Encontrados na tradução

"A gente fala a língua da natureza do mato. Foi sabiá que ensinou pra gente." O sabiá canta na voz de Morzaniel Iramari Yanomami quando ele explica seu jeito quebrado de falar, que traz uma sonoridade nova aos ouvidos da plateia do Centro Educacional Unificado (CEU) Pera Marmelo, situado no Jardim Santa Lucrécia, no distrito do Jaraguá, extremo norte da capital do...

Mas existe cinema de índio?

A selva de pedra volta a ser floresta por alguns dias, de 7 a 12 de outubro, quando desembarcam em São Paulo 53 produções indígenas realizadas com o olho mecânico a que chamamos câmera cinematográfica. Orquestrada pelas mãos de música do líder krenak Ailton Krenak, a Aldeia SP - Bienal de Cinema Indígena aporta na "maior cidade" da América Latina, ameríndia...

A fronteira invisível

Subindo o rio Muru e o rio Humaitá por três dias (no verão são cinco dias, porque os rios estão secos), logo após percorrer 400 km desde Rio Branco até Tarauacá, no noroeste do Acre, chega-se à Terra Indígena Kaxinawá. Ali, há 33 anos, nasceu, formou-se e vive o cineasta Nilson Tuwe Huni Kuin, filho de um cacique tradicional...

O que assobiava Y’oi quando pescou o povo Tikuna? (*)

Meu nome é Djuena, "a onça que pula no rio". Sou filha do Alto Solimões, nasci na aldeia Umariaçu, na fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia. Vim com os meus pais para a capital ainda pequena, vim para morar em uma comunidade Tikuna chamada Wotchimaucu, na periferia de Manaus, no Amazonas. Aqui foi onde cresci. Tenho 31 anos,...

Os índios que abalaram Brasília

Vincent Carelli mora em Olinda há 16 anos. É um dos mais atuantes documentaristas brasileiros - na verdade, é francês: nasceu em Paris, em 1953, filho de um artista plástico brasileiro e uma professora francesa, e chegou ao Brasil com 5 anos. Seu novo filme, Martírio, exibido na semana passada no Festival de Brasília, virou o epicentro de um grande...

A mãe d’água levou

Estamos no meio do rio São Francisco, olhando para o horizonte. Estamos, mais precisamente no município de Cabrobó, em Pernambuco, na Ilha da Assunção, uma reserva de indígenas da etnia truká com 5.000 habitantes. João Amaro é um pescador truká que convive com o Velho Chico, com o lixo trazido às margens da ilha pelas águas e com a dificuldade de alimentar a...