
No endereço dado como a sede da produtora Go Up Entertainment em São Paulo, na Avenida Paulista, 807, existe apenas uma sala de 36 m2 e uma secretária atendendo em uma mesinha. A moça informa que ali não funciona nada que tenha a ver com cinema, que se trata de uma empresa de “aluguel de salas de reuniões” e “funciona de forma virtual”. Em ações judiciais e protestos de cartório, o endereço da produtora que assina a produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, é o daquela salinha. Inclusive, é o endereço que norteia ação do Sindcine no Ministério Público do Trabalho acerca das condições de trabalho que foram registradas durante a filmagem do longa-metragem.
A produção do filme Dark Horse (O Azarão), dirigido pelo norte-americano Cyrus Nowrasteh e com roteiro de Mário Frias (ex-secretário Especial de Cultura do ex-presidente preso Jair Bolsonaro, e atualmente com paradeiro ignorado, procurado por oficiais de Justiça para receber notificação do STF), teria recebido 61 milhões de reais do ex-banqueiro (preso), Daniel Vorcaro, para usar no filme, segundo declarou o candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro. Há também informações de que a produtora teria recebido outros mais de 100 milhões de reais da Prefeitura de São Paulo a título de investimento (20% de tudo que a Prefeitura investe em cultura em um ano). Essas informações, se confirmadas, colocam o filme como o mais caro já realizado no cinema brasileiro.
Após a notícia do montante do investimento, a Go Up Entertainment enviou ao portal G1 uma nota negando que tenha recebido tais volumes de recursos. “A GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.” Logo em seguida, entretanto, Mário Frias mudou sua versão sobre o dinheiro recebido de Daniel Vorcaro. Ele passou a usar eufemismos para tratar do caso, dizendo que há “uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”.
A sócia-administradora e principal figura associada à Go Up Entertainment é Karina Ferreira da Gama. Karina Gama preside também o Instituto Conhecer Brasil, entidade que, sob a fachada da Go Up, firmou contratos e obteve as verbas públicas da Prefeitura de São Paulo e mais R$ 2,8 milhões em emendas parlamentares. A Polícia Federal agora investiga o destino desses recursos, já que o filme foi feito com estrutura precária e deve até a empresas de cafezinho.
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