Famíllia se reúne em casa de campo no dia da posse da Lula, em 1º de janeiro de 2003
Uma típica família burguesa desnuda-se diante das câmeras - Foto Divulgação

Uma família burguesa decadente se reúne na casa campestre da matriarca Laura (Ítala Nandi) para comemorar o ano novo, em 1o de janeiro de 2003, dia da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sob essa premissa e ao longo de 24 horas se desenvolve o filme Domingo, de Clara Linhart e Fellipe Barbosa. A data é pretexto para investigar as hipocrisias da família tradicional e, sobretudo, a brutalidade das relações entre as classes sociais no Rio Grande do Sul (ou no Brasil como um todo).

Enquanto as televisões da casa se alternam entre filme pornô e as imagens de discursos de Lula e da transmissão da faixa presidencial de Fernando Henrique Cardoso para ele, os membros da família entram em conflito e expõem seus pequenos segredos, para a câmera e para um ou outro parente ou agregado. O professor de tênis celebra a eleição do operário enquanto flerta com a nora e com a neta. Os empregados são sistematicamente humilhados pelos membros da família “de bem”. A matriarca desvia dinheiro para conta no exterior, com medo de ser expropriada pelo novo governo. “Quando eles invadirem a casa da sua mãe vão levar a Laura para a guilhotina”, diz a nora. “É terra improdutiva, tem mais é que invadir”, responde o filho, que divide com a cunhada uma carreira de cocaína.

Coprodução da Globo Filmes, Domingo gira em torno do próprio eixo e não revela a que veio. Canções gaúchas e mexicanas emolduram relações que não se atam nem se desatam. Ficamos sem pistas sobre se pioramos, melhoramos ou permanecemos na mesma de 2003 para cá. Um detalhe bobo: o dia 1o de janeiro de 2003 caiu numa quarta-feira, e não num domingo.

Domingo. De Clara Linhart e Fellipe Barbosa. Brasil, 2018, 94 min.

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