Cena de Chernobyl, em cartaz no Sesc Consolação
A peça Chernobyl dá voz a vítimas do acidente nuclear em 1986 - Foto Guy Pichard

A história já se perde nas lembranças, mas é preciso reavivá-la de tempos em tempos. Foi o que fez a HBO ao lançar em streaming Chernobyl, neste ano. Por meio de uma envolvente narrativa, a catástrofe na usina nuclear na Ucrânia, que explodiu em 26 de abril de 1986, ganhou novamente contornos reais na série. A peça homônima (porém sem ligação com a série audiovisual), em cartaz na sala Beta do Sesc Consolação, realimenta essa aproximação do público com o trágico episódio a partir de um recorte fortemente humanizado.

Quatro atrizes (Carolina Haddad, Joana Dória, Manuela Afonso e Nicole Cordery) se entregam a nove personagens interligados. O texto, da dramaturga francesa Florence Valéro (nascida em 1986), recorre a uma voz oculta, como de resto são as vítimas reais do acidente, para relatar ao mundo os fatos ocorridos na usina nuclear. É Antonia, uma boneca, que narra os dias seguintes à explosão do reator de Chernobyl, sempre se preocupando em ter como fio condutor o destino de sua “dona”, a menina Hanna, e também do irmão Michael, da mãe Elena e do pai Igor.

Dirigida por Bruno Perillo, a montagem começa a partir de uma cena em que personagens com máscaras de proteção e lanternas entram na usina de Chernobyl. O clima é claustrofóbico, escuro, gélido. Forma-se, tacitamente, um pacto para se abstrair da realidade (brasileira) e mergulhar, em seguida, no drama de centenas de outras famílias obrigadas a deixar às pressas Pripyat, a cidade ucraniana dizimada pela catástrofe. Mas é difícil não sair do espetáculo pensando que em Mariana, Brumadinho e outras cidades vitimadas pela sede do progresso as vidas humanas são sempre relegadas a um segundo plano.

Chernobyl. Direção de Bruno Perillo. No Sesc Consolação, segundas e terças-feiras, às 20 horas, até 22 de outubro. Ingressos a 20 reais.

 

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