São verdadeiras pérolas os quadrinhos de “Pérolas perdidas” (Editora Quelônio, 2026, 62 p.), roteiro de Sabina Anzuategui ilustrado por Bruno Weber.
As histórias podem ser lidas na ordem ou não, a gosto do freguês. A dupla publicou quase 200 tirinhas na internet entre 2018 e 2022 e reuniu o melhor dessa produção no volume ora lançado.
As tiras contam as venturas e desventuras de Pérola, mulher de classe média, entre afetos com homens e mulheres, fora dos padrões heteronormativos, numa espécie de HQ de formação, entre a adolescência, vida adulta, amores e paixões correspondidos e frustrados, casamento, questões existenciais e sessões de psicanálise, online, é claro, por conta do isolamento social imposto pela pandemia de covid-19.
Doutora em Cinema pela ECA-USP, Sabina revela, no texto de apresentação, que quando criança sempre respondia com “autora de histórias em quadrinhos” à pergunta “o que você quer ser quando crescer?”. Chegou a desenhar, seguindo os passos do pai, o cartunista Zuateg, mas logo trocou o traço pelo texto, passando ao roteiro. Encontrou os desenhos de Bruno na internet e convidou-o para a empreitada em parceria. O fino da obra está aí, nesse volume carregado de sabedoria e bom humor.
O jornalismo cultural de Farofafá precisa do seu apoio! Colabore!
QUERO APOIARNo fim das contas, na gangorra que é a vida afetiva de qualquer ser humano, jovem ou adulto, homem ou mulher, independente de sua orientação sexual (que Sabina e Bruno encontrem leitores interessados para além de rótulos), as histórias e memórias se somam para contar a história de amor de uma década de Pérola e Martina, com seus encontros e desencontros, gafes, receios, nãos e sins, sintetizando o que significa amadurecer.
Um livro leve, bonito, honesto, comovente, delicado, bem escrito e desenhado, com um olhar sensível, bem-humorado e inspirador do cotidiano e da vida conjugal real, com suas dores e delícias. Literalmente uma pérola. Uma não, várias.








