Os retratos de Mário e Oswald de Andrade e Sérgio Milliet - telas de Tarsila do Amaral fotografadas por Zema Ribeiro
Os retratos de Mário e Oswald de Andrade e Sérgio Milliet - telas de Tarsila do Amaral fotografadas por Zema Ribeiro
Os retratos de Verinha e Fernanda de Castro
Os retratos de Verinha e Fernanda de Castro
"Segunda classe"
“Segunda classe”

BRASÍLIA/DF — Em cartaz até o próximo dia das mães (10 de maio), na Galeria Marcantonio Vilaça do Centro Cultural do Tribunal de Contas da União (Setor de Clubes Esportivos Sul Trecho 3, Plano Piloto) a exposição “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral” apresenta, em mais de 60 obras, a versatilidade e grandeza desta que é merecidamente considerada um dos maiores nomes da pintura brasileira em todos os tempos.

O “Abaporu” (1928), talvez seu quadro mais famoso, não está lá (exceto como projeção em uma sala imersiva), e talvez esta ausência seja pedagógica: visitar a mostra amplia os horizontes de quem está acostumado a relacionar a pintora exclusivamente a essa famosa tela. Tarsila do Amaral (1886-1973) pintou muito mais que isto.

Nome fundamental do modernismo brasileiro, a artista esteve à frente de seu tempo, ao trocar o piano pelos pincéis, rompendo o cerco do que era permitido a mulheres em sua época e, retratando o (ir)real, antecipando debates sobre a realidade brasileira (“Operários”, “Costureiras” e “Segunda classe”, entre outros), muitos dos temas infelizmente ainda bastante atuais.

Há uma série de retratos (destaque para os de Mário [1893-1945] e Oswald de Andrade [1890-1954] e Sérgio Milliet [1898-1966]) e autorretratos nos quais é possível pensar as influências e a liberdade da artista, além de paisagens/fazendas e seu ambiente rural (numa época em que o Brasil começava a se industrializar), além do clima também bucólico do interior e da religiosidade captados por Tarsila ao pintar procissões, por exemplo.

“Transbordar o mundo” inclui ainda rascunhos, estudos e contribuições para a Semana de Arte Moderna de 1922 (da qual ela não participou por morar em Paris à época), como a revista Klaxon e diversas outras publicações.

A exposição reúne obras espalhadas em diversas coleções públicas e privadas e sua montagem subverte a cronologia do processo criativo de Tarsila do Amaral, priorizando a compreensão de sua obra através das vivências e descobertas da artista, desde estudos iniciais até a consagração como um dos maiores nomes das artes visuais brasileiras em todos os tempos, num conjunto que transita entre o político e o onírico.

FAROFAFÁ visitou a exposição no feriado do dia do trabalhador (1°. de maio), quando uma longa fila se formava para acesso ao prédio, demonstração inequívoca do interesse do público, que entrava em grupos de entre 15 e 20 pessoas por vez. Na ocasião, para atender a demanda, o horário de visitação foi ampliado para até às 20h. A visitação, gratuita, pode ser realizada diariamente, das 9h às 18h.

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