O Manto Tupinambá do século 17 que voltou ao País para ser abrigado pelo Museu Nacional do Rio

Depois de frustrar o povo Tupinambá duas vezes, cancelando seu encontro ritual com o Manto Tupinambá em julho e agosto, o Museu Nacional do Rio de Janeiro cedeu à dívida histórica. O Ministério dos Povos Indígenas (em conjunto com o Ministério da Educação e em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores) anunciou oficialmente nesta quarta-feira, 4, que o museu irá permitir a cerimônia de celebração pelo retorno do Manto Sagrado, exclusiva dos Tupinambás, já na próxima semana.

A cerimônia oficial será na quinta-feira, 12 de setembro, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, e contará com a presença da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e outras autoridades dos governos federal, estadual e municipal cujos nomes ainda não confirmados, além de autoridades dos Tupinambá. Mas antes, nos dois dias anteriores a essa cerimônia conjunta, o povo Tupinambá poderá realizar privativamente seus rituais sagrados de vigília e recepcionar o Manto conforme seus costumes, em uma sala da Biblioteca Central do Museu Nacional do Rio, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que vai abrigar a peça. “Todo o evento está sendo organizado em diálogo permanente com o Povo Tupinambá para garantir o direito sagrado dos indígenas em relação ao artefato”, afirma nota do governo.

Considerado um antepassado do Povo Tupinambá, o Manto retornou do Nationalmuseet da Dinamarca para o Rio de Janeiro no dia 11 de julho, após quase quatro séculos sob posse daquela Nação. A devolução ao país foi iniciada após contatos entre indígenas da etnia Tupinambá do Brasil com o Manto, durante um empréstimo da peça à exposição Brasil +500, no ano 2000. Seu retorno deu-se após uma articulação entre instituições do Brasil e da Dinamarca, incluindo o Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil na Dinamarca, os Museus dos dois países e lideranças Tupinambá da Serra do Padeiro e de Olivença (BA). Para os Tupinambá, a volta do Manto reabre inclusive a possibilidade da demarcação de suas terras na Bahia.

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