Cena de "Copo Vazio", peça em cartaz no Sesc Belenzinho, sobre "ghosting"
Cena de "Copo Vazio", peça em cartaz no Sesc Belenzinho, sobre "ghosting" - Foto: Bruna Massarelli

Em Copo Vazio, adaptação teatral do romance homônimo de Natalia Timerman, dois personagens contracenam no palco, Mirella (Carolina Haddad) e Pedro (Vinicius Neri), com a primeira como protagonista decidida a contar sua história. É sobre o curto, mas intenso relacionamento entre os dois, que termina pelo desaparecimento dele, subitamente, sem maiores explicações. “Ghosting” é o termo (em inglês) apropriado para essa perturbadora atitude, cada vez mais comum na atualidade.

Não é preciso ser vidente para saber que a peça será um mergulho em temas como abandono, solidão, amor, empatia e relacionamentos. E o fará na perspectiva de Mirella, que naturalmente enxerga um meio copo vazio em sua vida. Foi essa a forma encontrada pela autora do livro, que foi finalista do prêmio Jabuti em 2022. Psiquiatra e psicoterapeuta, Natalia Timerman usa de sua experiência na área de saúde mental para mostrar a jornada de luto e superação enfrentada pela protagonista.

Sob direção Bruno Perillo e dramaturgia de Angela Ribeiro, a montagem tem a difícil tarefa de apresentar também a perspectiva do meio copo cheio. No palco, os atores Carolina e Vinicius interpretam a si mesmos prestes a incorporarem os personagens Mirella e Pedro e contar como se desenvolveu a história. Nesse duplo jogo cênico, o espectador vê Pedro, mas a voz dele é pouco ou quase nada ouvida, mantendo sempre a perspectiva do texto original, a de Mirella. Embora pudesse dar as respostas esperadas, “Pedro continua sendo Pedro” na maioria das cenas. Não daria para ir mais longe, mas deixa questões no ar.

A peça Copo Vazio vai e volta em momentos distintos da vida dos personagens, com alguns grandes saltos temporais. No palco, os atores criam a atmosfera necessária que vai do ápice à derrocada do relacionamento, o que fará com que muitos se identifiquem com essa história. É importante ressaltar que oferecerá também gatilhos emocionais por quem vivenciou essa situação. Às vezes, como faz Mirella, é preciso enfrentar essa dor, mesmo que as cicatrizes ainda estejam visíveis.

Copo Vazio. No Sesc Belenzinho, às sextas-feiras e sábados (21h30) e domingos (18h30), até 23 de junho. Ingressos a 40 reais.

Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!

Mascote FAROFAFÁ Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.

Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:

1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.

2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.

Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!

Escolha como apoiar

Saiba mais em farofafa.com.br/apoie

PUBLICIDADE

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome