A história de Hamlet, em 24 horas

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A poderosa e influente tragédia de Hamlet atravessa séculos e nem o tempo a impede de ser eternamente revisitada. E reinterpretada, sob diferentes óticas. Mais longa peça de William Shakespeare, ela suscita também adaptações variadas, como a do dramaturgo francês Bernard Marie-Koltès (1948-1989). Em O Dia das Mortes na História de Hamlet, em cartaz no Sesc 24 de Maio até 9 de abril, resume em 24 horas as mortes que giram em torno desse clássico do teatro mundial.

No palco, o príncipe Hamlet (interpretado por Tiago Martelli) vê chegada a hora da vingança da morte do pai, o rei da Dinamarca. Sua tarefa não é das mais fáceis: seu inimigo é o tio Claudius (Leopoldo Pacheco), que usurpou do trono após matar o pai de Hamlet e se casar com a sua mãe, a viúva Gertrudes (Lavínia Pannunzio). O jovem príncipe tem ao seu lado apenas a sua amada, Ofélia (Larissa Noel). No recorte de Koltès, as cenas se circunscrevem no “dia da matança”, que se sucedem após Hamlet decidir por em prática seu plano.

Mesmo para quem conhece a história original, O Dia das Mortes na História de Hamlet tem a originalidade de forjar uma tensão no ar no qual o desfecho é rapidamente conhecido – haverá mortes -, mas não se sabe como os fatos se sucederão numa versão mais acelerada. É como se se esvaziasse todo o resto dos ricos elementos narrativos de Shakespeare para se ater apenas no instinto mais animalesco e monstruoso das tragédias.

Koltès se guia pelo texto do bardo inglês, o que faz com que a peça se beneficie dessa poderosa narrativa. A dupla de atores-veteranos Leopoldo Pacheco e Lavínia Pannunzio, pela primeira vez juntos no palco, confere à montagem sob direção de Guilherme Leme Garcia uma força adicional em forma de gestos precisos para o texto de Shakespeare/Koltès. Martelli e Larissa incorporam o par oposto, tornando a tragédia algo circunscrito a uma tragédia em família.

É digno de nota que O Dia das Mortes na História de Hamlet não faz concessões a simplificações. Mesmo que circunscrita às cenas no dia trágico, a montagem mantém-se fiduciária à complexidade da obra de Shakespeare, mais uma prova da grandiosidade do texto original escrito há mais de 400 anos.

O Dia das Mortes na História de Hamlet. De Guilherme Leme Garcia. No Sesc 24 de Maio, quintas, sextas-feiras e sábados (20 horas) e domingos (18 horas); Ingressos a 40 reais.

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