Cena do espetáculo "Só Riso", em cartaz no Sesc Ipiranga
Cena do espetáculo "Só Riso", em cartaz no Sesc Ipiranga - Foto: Lenise Pinheiro/Divulgação

O espetáculo Só Riso – o arame, o palhaço e uma certa morte já se denuncia no seu próprio extenso nome. Trata-se de uma história de um palhaço, portanto que remete ao riso, e há também um fio (o arame) para se equilibrar e talvez um desfecho trágico (a morte). Embora se defina como uma tragicomédia, a peça em cartaz no Sesc Ipiranga pende para a tragédia que nos cerca e também ao personagem, deixando a comédia em segundo plano.

Sergio Siviero (Augusto) e Gui Calzavara (o homem-banda) dividem o palco para montar uma cena circense. É uma construção ao vivo, literalmente, com direito a transmissão pelas redes sociais. O palhaço Augusto quer encenar um número para a Lua, mas até lá muitas questões virão à tona, a maioria delas trazidas pelo parceiro de picadeiro que atua como antagonista, consciência crítica, animador.

Com dramaturgia e direção de Claudia Schapira, e dramaturgia cênica de Cibele Forjaz, a peça Só Riso envereda para discussões que partem da arte, do fazer artístico, mas depois acabam por problematizar temas universais e contemporâneos da sociedade. O risco que se correu foi o de trazer assuntos que distraem a narrativa em vez de conectá-la. Influenciadores?

A peça Só Riso foi livremente inspirada nos textos de Henry Miller (O Sorriso ao Pé da Escada) e de Jean Genet (O Funâmbulo). As referências já são suficientes para dar consistência ao seu objetivo maior: discutir o papel do artista na sociedade. Miller despe o palhaço Auguste, que vive em conflito entre ser ele mesmo e ser outro, além de estar desencantado com a impossibilidade de não ter o que falar para seu público. No fundo, ele não quer mais ser um palhaço. Já Genet aborda a solidão do artista, a ascensão e decadência dos artistas, a vida equilibrada por um fio.

Os personagens Augusto e o homem-banda crescem quando dão luz a essas questões propostas por Miller e Genet que, ao fim e ao cabo, tratam da efemeridade do teatro e de como ele é um tradutor da vida de todos nós. Com músicas executadas ao vivo, e uma cenografia (Marisa Bentivegna) construída sensível e lentamente ao longo de Só Riso, a peça termina aberta à reflexão. Parece que se espera do palhaço apenas que ele nos faça rir e traga alegria, mas nesta peça não é bem o que o público vai receber.

Só Riso. Direção de Claudia Schapira. No Sesc Ipiranga, sextas-feiras e sábados, às 21 horas; e domingos, às 18; até 16 de abril. Ingressos a 40 reais.
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