Em um mundo contemporâneo, pôr-se à frente de um aparelho eletrônico e relatar o cotidiano, as preferências e os costumes pode ser muito mais que um hábito para se sociabilizar. É falando sobre moda, saúde e entretenimento que os influenciadores digitais têm se tornado responsáveis por mover multidões e conseguir embolsar milhões de reais com uma simples postagem nas redes sociais. É esse o tema da série As Seguidoras, lançamento em streaming da Paramount+ que estreou em 6 de março.
A trama nacional, com roteiro de Manuela Cantuária, da produtora de vídeos da empresa Porta dos Fundos, acompanha a personagem Liv (Maria Bopp), uma influenciadora digital. Ela é obcecada por ganhar seguidores e vai às últimas consequências para se tornar referência dentro do universo digital. No entanto, uma podcaster criminal pode acabar colocando a jovem atrás das grades.
Com um roteiro afiado, que disfarça a crítica a esse novo cenário com narrativas exageradas que mesclam comédia e suspense – algo já bastante conhecido pela saga de filmes Pânico, iniciada em 1996 e retomada em 2022 –, As Seguidoras desenvolve uma atmosfera de tensão baseada em qual será o próximo passo da personagem – ou vítima que cruzará seu caminho. Também explora como e quando Liv será, de fato, descoberta, ao mesmo tempo que desconfigura a ideia de perfeição atribuída e alimentada por muitos profissionais como a protagonista.
A veracidade da obra ganha pontos ao ter a atriz Maria Bopp como protagonista, decisão que exemplifica como produção, roteiro e divulgação caminham alinhados. Bopp é conhecida nas redes sociais como ‘Blogueirinha do fim do mundo’, persona que satiriza discursos e ações de influenciadoras digitais.
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QUERO APOIARA escolha, melhor representada na quebra da quarta parede, que ocorre logo no primeiro episódio da série de seis episódios, do qual a personagem declara “é mais fácil matar, esquartejar, transportar, embalsamar, ocultar um cadáver do que passar pelo tribunal da internet”, não só reafirma o encaixe entre atriz e personagem como também deixa claro o intuito da produção. É preciso alertar e conscientizar, ainda que por meio do cômico, sobre a dualidade de querer ser notado nas mais diferentes redes sociais.





