Museu do Ipiranga/Divulgação

Na última sexta-feira, 11, a diretoria do Museu Paulista da Universidade de São Paulo divulgou uma nota de esclarecimento acerca de reportagem exclusiva do FAROFAFÁ. A nota nega que a nova fundação que está sendo constituída para o Museu do Ipiranga vá substituir o modelo de governança atual. “Eleita em 2020, esta chapa possui mandato de 4 anos à frente do Museu Paulista da Universidade de São Paulo, que engloba tanto o Museu do Ipiranga quanto o Museu Republicano de Itu“, afirma o documento. O Museu do Ipiranga, que foi reformado a um custo de 211 milhões de reais, será reaberto no dia 7 de setembro.

Na mesma noite, entretanto, em um grupo de WhatsApp da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, a secretária Executiva de Cultura e Economia Criativa do Estado, a advogada Claudia Pedrozo, publicou um tipo de comentário sobre a reportagem do FAROFAFÁ, que ela chama de “imprensa marron” (sic): “Eu serei a gestora do Museu do Ipiranga, como já devem saber”, ela diz, já no início do seu texto, contradizendo a crença da diretoria da USP. A decisão de nomear Claudia Pedrozo como presidente da recém-criada Fundação de Apoio ao Museu do Ipiranga é política e foi tomada pelo governador João Doria a pedido do Secretário de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, Sérgio Sá Leitão (de quem Claudia é o braço direito, tem integrado todas as equipes de Leitão em cargos públicos há anos). Tanto Doria quanto Leitão devem anunciar candidaturas às eleições de 2022 em duas semanas.

Entretanto, em seu arrazoado, Claudia Pedrozo argumenta que sua nomeação foi essencialmente técnica e que foi sabatinada por uma banca de notáveis. “O processo de seleção contou com dezenas de pessoas, foi longo, árduo e fui sabatinada e espremida à exaustão pelos profs. da USP (que são rigorosos e possuem autonomia decisória)”, escreveu. “Eu nem imaginava que seria a vencedora do processo, pois os nomes em disputa eram também qualificados. Por unanimidade, decidiram por mim pq a missão tem haver (sic) com o meu perfil/perfil da vaga: gestão, Adm, Finanças, captação, fui CEO em outros momentos. A museologia será conduzida pela USP. Em suma, não foi uma indicação. Eu tive de provar CV, competência e o vigor necessário para o tamanho dessa operação”.

Ela contesta alguns dados da reportagem, como o fato de que se afirma no texto que ela é carioca. “Ao contrário, sou uma paulistana que foi muito bem aceita no Rio para implantar os museus do MAR e do Amanhã além de gerir outros tantos ao longo da vida. No Rio, povo cosmopolita, enxerga que bairrismos empobrecem as relações e diminuem as chances de se ter o melhor que se pode. Nós somos terráqueos (e não paulistanos), qualquer lugar no globo terrestre é o nosso lugar”.

Ela também comenta a informação de que é ré em processos na Justiça Federal – uma eventual condenação seria um impeditivo para assumir uma fundação (cuja criação nem era conhecida antes da publicação da reportagem): “O processo ainda nem entrou na fase de olhar as contestações. Quando olharem verão que não tenho nada com isso. Não produzi a denúncia e não agi levianamente. Todo sigilo e rito foram adotadas como em todos os processos. Logo, a mim só cabe a mais deliciosa serenidade. A calma dos justos. Tudo ficará esclarecido e isto não mancha minha trajetória, só indica que fiz o que tinha de fazer. Eu não poderia me omitir, isso si seria crime. O TCU e a Comissão de Ética da Presidência foram mais rápidos que a justiça e já deram pareceres favoráveis à conduta. Isto entrou no processo e quando for julgado será simples obter a minha exclusão do processo. Tão simples quanto isso! Faz parte de quem ocupa cargo público”, escreveu.

LEIA A NOTA DA USP:

 

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