As Conchambranças De Quaderna -, peça de Ariano Suassuna
Elenco da peça "As Conchambranças De Quaderna", de Ariano Suassuna - Foto: Erik Almeida

O espetáculo de menos de uma hora As Conchambranças de Quaderna é uma brincadeira teatral, e tudo bem de não precisar ser levada a sério. Um pouco de leveza nessa retomada de apresentações presenciais faz bem. Pois é isso o que entregam o texto do escritor pernambucano Ariano Suassuna e também a primeira montagem da obra na capital paulista sob direção de Fernando Neves.

Assim que o espectador chegar ao Teatro Sergio Cardoso, verá no palco a concepção cenográfica do artista plástico Manuel Dantas Suassuna, filho de Ariano. O imaginário sertanejo salta aos olhos, abrindo o palco para os imbróglios que serão vividos pelo personagem Quaderna (Jorge de Paula). É ele a cabeça pensante que tramará os conchavos, uma corruptela da palavra “conchambranças”, sempre tentando levar vantagem das armadilhas que cria pelo caminho.

É encenado apenas O Caso do Coletor Assassinado, o primeiro ato da peça, composta por três histórias. Suassuna, nessa obra, brinca com algumas das instituições tipicamente presentes nos interiores brasileiros. Quaderna é um matuto que se vale de um escândalo político que envolve seu padrinho Dom Pedro Sebastião (Guryva Portela), um representante da oligarquia local, coronel que mata e manda matar. O escritor pernambucano, uma referência para o teatro popular nordestino e criador do Movimento Armorial (que ousou criar uma arte erudita a partir da cultura popular do Nordeste), trabalha com inúmeras metáforas, alegorias e arquétipos para construir personagens saborosos e divertidos.

As Conchambranças de Quaderna foi escrito em 1987, depois de um hiato na produção teatral de Ariano Suassuna. Teve até hoje apenas três montagens: em Recife (1987 e 2004), Rio de Janeiro (2011) e esta agora. Nesta montagem de circo-teatro, o protagonista ressurge como rei e palhaço. Pedro Dinis Ferreira Quaderna surgiu como protagonista de A Pedra do Reino, de 1971, um “romance-memorial-poema-folhetim”, como definiu o poeta Carlos Drummond de Andrade.

As Conchambranças de Quaderna. De Ariano Suassuna. No Teatro Sergio Cardoso (presencial), até 11 de novembro, de segunda a quinta-feira, às 19 horas. Ingressos a 30 reais. Apresentação virtual no Sympla Streaming.

Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!

Mascote FAROFAFÁ Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.

Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:

1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.

2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.

Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!

Escolha como apoiar

Saiba mais em farofafa.com.br/apoie

PUBLICIDADE

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome