Maysa,

MaysaConvite para Ouvir Maysa Nº 2, RGE, 1958

Maysa, "Convite para Ouvir Maysa Nº 2" (1958)

1. “Meu Mundo Caiu” (Maysa Matarazzo)
2. “No Meio da Noite” (Aloysio Figueiredo-J.M. da Costa)
3. “Bronzes e Cristais” (Alcyr Pires Vermelho-Nazareno de Brito)
4. “Por Causa de Você” (Antonio Carlos Jobim-Dolores Duran)
5. “Bom-Dia, Tristeza” (Adoniran Barbosa-Vinicius de Moraes)
6. “Felicidade Infeliz” (Maysa Matarazzo)
7. “Bouquet de Izabel” (Sérgio Ricardo)
8. “Mundo Novo” (Maysa Matarazzo)
9. “E a Chuva Parou” (Ribamar-Esdras Pereira da Silva-Victor Freire)
10. “Caminhos Cruzados” (Antonio Carlos Jobim-Newton Mendonça)
11. “Meu Sonho Feliz” (Nanai)
12. “Diplomacia” (Maysa Matarazzo)

Ao assimilar Noturno (1957), de Elizeth Cardoso, o primeiro volume de Álbum deixa descobertas (ao menos) duas ausências gritantes, as de Dolores Duran e Maysa, dois nomes femininos igualmente cruciais para essa fase noturna da música brasileira e para o início da era dos LPs. Juntas, essas três vozes conformam o instante soturno que antecedeu a bossa nova, as duas primeiras a partir do Rio de Janeiro e a terceira, de São Paulo.

Elizeth define mais aquele momento que qualquer outra porque lançará, logo em seguida, o mitológico álbum Canção do Amor Demais (1958), abre-alas para a geração bossa nova graças às presenças de Tom Jobim Vinicius de Moraes (nas composições), João Gilberto (ao violão) e de canções fundadoras como “Chega de Saudade”, “As Praias Desertas”, “Eu Não Existo sem Você” e “Outra Vez” (essa última em circulação desde 1954, na voz de Dick Farney, mas prestes a ser reinventada por João). Acima de tudo, Elizeth é definidora porque não compõe suas próprias canções, ao contrário do que faz Maysa e do que tenta fazer Dolores. De modo geral, o tempo não é dócil para mulheres autoras (esse tempo, aliás, ainda demorará bastante a chegar).

Depois de dois LPs de 10 polegadas em 1956 e 1957, a capixaba apaulistanada Maysa estreou no formato definitivo das 12 polegadas com Convite para Ouvir Maysa Nº 2 (1958), cujo carro-chefe de fossa lancinante é uma composição própria, “Meu Mundo Caiu”, clássico maior naquele álbum ao lado de “Por Causa de Você” (de Tom Jobim e… Dolores Duran) e “Bom Dia Tristeza” (samba-canção com música do mais antiquado Adoniran Barbosa e letra ainda pré-bossa nova de Vinicius). “Meu mundo caiu/ e me fez ficar assim/ você conseguiu/ e agora diz que tem pena de mim”, sofre Maysa, em impostada voz de veludo. Ela seguirá gravando até 1974 (e morrerá em 1977, aos 40 anos), mas as composições próprias rarearão dramaticamente a partir do LP de repertório bossa nova Barquinho (1961).

Mais drástica é a história da carioca Dolores Duran, desde a estreia em 10 polegadas Dolores Viaja (1955), com oito canções de oito nacionalidades (e sete idiomas) diferentes, apenas uma delas em português (a fossa “Canção da Volta“, de Antonio Maria e Ismael Neto). Imortalizada como compositora após a morte aos 29 anos (em 1959, no ardor da consolidação da bossa), Dolores gravou apenas cinco composições próprias em três LPs (“Por Causa de Você”, “Não Me Culpe”, “Solidão”, “Prece de Vitalina” e “Minha Toada”). O derradeiro LP, Este Norte É Minha Sorte (1959), ficou como registro do que a ascendente indústria fotográfica esperava dela, que se parecia muito pouco com o que a compositora indicava esperar de si própria: forrós sanfoneiros de cunho rural/nordestino assinados por Miguel Gustavo (“Te Cuida Zeca”, “Este Norte É Minha Sorte”), Chico Anysio (“Prece de Vitalina”, “Tá Nascendo Fio”, “Zefa Cangaceira”, “Não Se Avexe Não”) e Victor Simon (“Quase Maluco”).

Parceria do futuro dínamo humorista Chico Anysio com Dolores, a musicalmente alegrinha “Prece de Vitalina” dá receita do veneno mortal que massacrava e continuaria a massacrar as identidades femininas: “São José, por seu favor,/ sem lhe fazer meu criado/ diz aí pra Santo Antonho/ que eu continuo de lado/ em junho de 36/ pedi pra ele um marido/ ou ele tem mal vontade ou se esqueceu do pedido/ (…) das moças da minha idade/ quem tem pouco tem três fio/ oxente, só eu não caso/ danou-se, tô no desvio”.

 

Dolores DuranEste Norte É Minha Sorte, Som Indústria e Comércio/Copacabana, 1959

Dolores Duran, "Este Norte É Minha Sorte" (1959)

1. “Te Cuida Zeca” (Miguel Gustavo)
2. “Saudade Ingrata” (Ted Moreno-Claudionor Nascimento)
3. “Prece de Vitalina” (Francisco Anísio-Dolores Duran)
4. “Minha Toada” (Edson França-Dolores Duran)
5. “Tá Nascendo Fio” (Francisco Anísio-Haydée Paula)
6. “Zefa Cangaceira” (Francisco Anísio)
7. “Quando Se Tem Amor” (Altamiro Carrilho-Armando Nunes)
8. “Não Se Avexe Não” (Francisco Anísio-Haydée Paula)
9. “Esse Norte É Minha Sorte” (Miguel Gustavo-Ruy Duarte)
10. “Quase Louco” (Victor Simon)

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