Alex Braga Muniz (na extrema direita) e os novos diretores da Ancine comemoram sua aprovação no Senado com o senador Carlos Portinho, relator de sua indicação, em 6 de julho

Sabatinado pelo Senado Federal no dia 6 de julho e aprovado para presidir a Agência Nacional de Cinema (Ancine) até 2026, Alex Braga Muniz foi nomeado nesta quarta-feira, 18, como assessor da diretoria da Ancine pela Advocacia Geral da União. A história parece complicada, mas é simples (apesar de realmente bizarra): na prática, Braga Muniz, que é procurador federal, não quis esperar o rito legal e pretende iniciar o seu dinástico mandato desde já, controlando o que se passa na agência antes de sua assunção. Ou seja: será o assessor mais poderoso de toda a História da República (se considerarmos que Fabrício Queiroz não chegou a ser nomeado para nenhum posto público).

Indicado por Jair Bolsonaro para o cargo, Braga Muniz vinha exercendo interinamente há dois anos a função de diretor presidente substituto da Ancine. Com o novo mandato, ele deverá ficar agora 7 anos como mandatário da agência, controlando também as indicações para a diretoria colegiada e uma receita anual de R$ 1,4 bilhão (isso se o próximo governo não tiver planos mais alvissareiros para a política audiovisual do País). A indicação prematura de três diretores à Ancine, que visava garantir a sabatina e a aprovação certas no Senado, após uma articulação de bastidores, acabou gerando esse constrangimento – está no cargo nesse momento o interino Mauro Gonçalves de Souza, que tem feito da Ancine uma espécie de balneário auxiliar para suas ligações políticas na Região dos Lagos, no Rio.

A nomeação de Alex Braga Muniz para ser uma espécie de assessor de si mesmo gerou divertidos comentários entre os servidores da Ancine, que dizem que a bagunça disseminada no governo Bolsonaro está levando a agência a virar uma espécie de Asa Branca – uma divertida menção à cidade fictícia da novela Roque Santeiro e à situação criada entre os personagens Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e o prefeito Florindo Abelha, com o primeiro sendo o efetivo dono da cidade e da cadeira de prefeito.

Alex Braga Muniz é réu na Justiça Federal por improbidade administrativa, acusação que ganhou por sua atuação na interinidade da Ancine nos últimos dois anos. Além dele, outro diretor da agência também é réu, Vinicius Clay.

 

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