O Rio de Janeiro terá um grande ato contra o leilão que o governo pretende fazer do Palácio Gustavo Capanema nesta sexta-feira, dia 20, às 16 horas. Será na frente do edifício, na Rua da Imprensa, 16, no Centro da capital. O ato de repúdio terá ações multimídia, shows de música, projeções, performances artísticas, colagem de cartazes e distribuição de máscaras, com cuidados relativos ao isolamento social. As informações são do jornal Extra.

A organização partiu de diversos coletivos, entre eles o grupo Ocupa Minc Rio, que nasceu dos protestos feitos em 2016, no mesmo edifício Gustavo Capanema, contra a  extinção do Ministério da Cultura pelo governo Temer. Aquele protesto teve êxito e Temer recuou poucos dias depois do ato. O então ministro da Cultura, Marcelo Calero, hoje deputado federal, está à frente de um movimento pela preservação do palácio com o slogan “O Palácio Capanema não será vendido”. Nesta quarta, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, André Ceciliano, se reúne com o historiador Marcus Monteiro, do IGHB, para tentar reverter a venda.

O Palácio Gustavo Capanema é um dos mais importantes edifícios da arquitetura moderna no mundo todo. É o primeiro a usar os pressupostos da arquitetura modernista em escala monumental, e sua ideia original foi do arquiteto francês Le Corbusier – o desenvolvimento foi de Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Afonso Reidy, Ernâni Cavalcanti, Jorge Machado Moreira e Carlos Leão. Dali se espraiou uma revolução. Foi inaugurado em 1937 e leva o nome do então ministro da Educação que, junto como o advogado, jornalista e escritor mineiro Rodrigo Melo Franco de Andrade, promoveu uma revolução no conceito de patrimônio histórico no Brasil. Naquele mesmo ano, foi criado o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), atual Iphan.

 

Convocação do protesto, na sexta

Centenas de instituições, como a associação dos servidores da Funarte, arquitetos, historiadores, militantes da cultura em geral estão escandalizados com a iniciativa do governo de vender o prédio como se fosse um imóvel qualquer. A legislação não permite a venda, mas, recentemente, o governo tem editado tantas portarias modificando a regulação do patrimônio histórico que não é impossível que leve a cabo sua intenção.

O Ocupa MinC Rio, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ) e outras associações iniciaram um abaixo-assinado contra a venda do imóvel que já tem mais de 15 mil assinaturas. “O palácio Gustavo Capanema foi construído com a finalidade de ser habitado pela cultura e não aceitaremos que tenha outra função social”, diz o texto.

“O MEC não pode ser vendido porque seu valor é incalculável. Quanto vale um prédio concebido, projetado e construído para ser um símbolo da cultura nacional?”, diz o texto do manifesto. “Ele é a obra brasileira mais citada em livros de arquitetura, mundo afora, como o primeiro edifício monumental do mundo a aplicar diretamente os conceitos da Arquitetura Moderna de Le Corbusier. O MEC não pode ser vendido porque ele é patrimônio do povo brasileiro”.

O edifício tem mais de 50 obras de arte, além de mobiliário e jardins de Burle Marx. Essa interação entre as diferenças funções do edifício é um dos pressupostos do modernismo. Filho de Candido Portinari, João Candido Portinari ressaltou que está ali no Capanema um dos acervos mais importantes da carreira de seu pai: a série Ciclos Econômicos do Brasil, que reúne 14 afrescos (com quatro telas abstratas).

 

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