Cena de Loki, série do Universo Marvel na Disney+
Cena de Loki, série do Universo Marvel na Disney+ - Foto: Divulgação

O que se pode esperar de um Deus da Trapaça, senão a trapaça? Em Loki, o espectador receberá mais que ações ardilosas, fraudes e outras peripécias de um dos vilões mais adorados do Universo Cinematográfico Marvel. Para os fãs de carteirinha dos Vingadores, a série da Disney+ se reveste de uma aura clarificadora de grandes enigmas que só quem acompanha a saga de seus heróis poderá compreender. Já para quem não faz a menor ideia da diferença entre Marvel e DC Comics, a diversão é garantida em uma produção pirotécnica, com direito a muitas cenas de lutas, destruição, tensão e humor.

Loki (Tom Hiddleston) é meio-irmão de Thor, o deus nórdico e filho do deus Odin. Adotado, ele sente ciúme e inveja de Thor e está sempre tramando a morte do herói e um dos fundadores dos Vingadores. Ele é filho de Laufey, rei dos Gigantes do Gelo, e por isso tem como sobrenome Laufeyson. Em Vingadores: Guerra Infinita, Loki se sacrifica (o filme é de 2018, portanto não se trata de um spoiler), mas reaparece na sequência, em Vingadores: Ultimato (2019), já que os heróis sobreviventes voltam ao tempo para recuperar as “pedras do infinito” (chamadas de Tesseract), roubadas por Loki de Thanos, o vilão dos vilões.

A série se inicia após o aprisionamento de Loki pelos Vingadores, mas num descuido e lance de sorte o vilão consegue recuperar o Tesseract e desaparece. O que se acompanhará em seguida é também o personagem Loki, mas numa variante e não ele próprio. Loki, o clone de si mesmo, é levado à Autoridade de Variância Temporal (AVT), uma organização burocrática que controla a realidade. A variante Loki ganha uma chance de ajudar a AVT a prender o Loki verdadeiro, mas para isso terá de ir e voltar no tempo e no espaço, arriscando a alterar o curso da história.

Os filmes da Marvel são criados a partir de uma meticulosa engenharia que envolve complexos personagens e universos nesta e em outras realidades (os multiversos). Se nos outros spin-off da Disney+, Wandavision e Falcão e o Soldado Universal, temas como o trauma familiar (no primeiro caso) e raça e classe (no segundo) foram o pano de fundo, Loki vislumbra costurar as dificultosas tramas de tempo e espaço que permeiam o Universo da Marvel. Vislumbra, porque a série está sendo liberada todas as quartas-feiras e este texto foi escrito a partir dos três episódios iniciais. Reviravoltas na trama são mais que previsíveis nos três episódios finais e na já prometida segunda temporada.

Sob a supervisão do agente Mobius (Owen Wilson), a variante Loki tem a oportunidade de solucionar questões mal resolvidas de sua vida e se revelar ao mundo não como o típico vilão. Não por acaso, ele é secundado por Sylvie (Sophia di Martino), uma variante feminina dele próprio, o Deus da Trapaça, e que chama os agentes da AVT de “fascistas” ao controlarem, por meio de uma ditadura do tempo, a vida das pessoas, mantendo-as de alguma forma presas.

Loki. De Michael Waldron. Série em seis episódios. Estados Unidos, 2021. Na Disney+.

 

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