A Agência Nacional de Cinema (Ancine) começa a virar cabide de emprego da extrema direita bolsonarista, a exemplo do que já acontecia com os principais ministérios do governo. O diretor-presidente da Ancine nomeou hoje o francês radicado no Rio de Janeiro Vincent Olivier Jean Roux para o cargo de assessor administrativo da Gestão de Processos de Fomento da Superintendência de Fomento da agência com um salário de R$ 13 mil.

Roux é corretor de imóveis, chegou a ter uma empresa do ramo no Rio. Não tem remotamente ligação com a área do cinema ou audiovisual. Definindo-se em rede social com um logotipo como “conservador, antiesquerdista e antiterrorista”, ele é ligado ao deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), alvo do inquérito sobre fake news no STF (Silveira sofreu ação de busca em seu apartamento na terça e ganhou vergonhosa celebridade por alguns minutos ao quebrar a placa de homenagem à vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro, em outubro de 2018). Roux chegou a ser nomeado secretário parlamentar do deputado Silveira. Em sua página do Facebook, o perfil de Roux é cristalino: cloroquinista, contrário às medidas de saúde pública da pandemia, adversário de movimentos afirmativos como o Black Lives Matter, hostil ao STF, praticante de artes marciais, bolsonarista fanático.

“OMS (Organização Mundial da Saúde) é bem pior que qq vírus!!!”, escreveu Roux, acima de post replicado de Jair Bolsonaro. Em outro momento, diz: “Resumo, jornalistas (pelo menos 90%) são idiotas, irresponsáveis e mentirosos”. Reposta constantemente bordões e opiniões sobre a cloroquina: “Zinco é a bala. Hidroxicloroquina é a arma. Trate a covid-19 cedo e viva. Reabram a economia mundial agora”, diz um certo dr. Zelenko, em notícia veículada por site de fake news que Roux replicou.

O aparelhamento do Estado brasileiro pelo bolsonarismo, em plena pandemia, não segue mais qualquer critério de aproximação de sentido, necessidade ou legalidade. Em abril, a agência contratou Paulo Braga, condenado por improbidade administrativa, para um dos setores de trâmites financeiros mais delicados da instituição. Mas, assim como Sara Winter foi lotada em uma coordenação no ministério da Família de Damares Alves, rapidamente se descobre que não é apenas abnegação ideológica que move esse grupo.

 

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