Erasmo Carlos lança o álbum Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba…
Erasmo Carlos, o roqueiro que deu partida à jovem guarda, recupera alguns dos sambas que compôs em seu novo álbum Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba… Foto: Guto Costa

Num novo álbum, o roqueiro que deu partida à jovem guarda recupera alguns dos sambas que compôs ao longo da carreira

Na capa algo caricatural de Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba…, o roqueiro Erasmo Carlos toca meio desajeitadamente um pandeiro. Por trás da caricatura, existe uma longa e bonita história. O passado sambista remonta à inédita Maria e o Samba, de 1959, quando o futuro parceiro Roberto Carlos tentava se firmar como bossa-novista e interpretou a composição de Erasmo ao vivo na Boate Plaza, em Copacabana, no Rio de Janeiro. A coisa melhor/ desse mundo é ouvir/ um samba com inspiração/ ao compasso do meu coração, diz a canção, agora recuperada.

Erasmo Carlos em Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba…
Erasmo Carlos em Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba…

Historicamente, Erasmo e Roberto só alcançaram sucesso e fama a partir da adesão ao rock, a partir de 1963, mas a matriz de samba nunca esteve ausente, sobretudo na obra de Erasmo. Conforme os jovem-guardistas passaram a ser criticados pelo uso de guitarras tidas como alienadas e alienígenas pelo bloco da nascente MPB, Erasmo testou modificações sonoras que incorporassem o samba ao rock. Para os Golden Boys, em 1965, compôs (com Roberto) Toque Balanço, Moço!, que se adequava ao subgênero da bossa chamado então de sambalanço (e/ou samba-jazz) e foi gravado no ano seguinte por Elza Soares.

Dessas experiências nasceria o gênero samba-rock, principalmente pelas mãos do amigo e parceiro Jorge Ben, com quem Erasmo chegou a morar em 1967 e com quem ensaiou a criação de um estilo que se chamaria jovem samba, em contraponto à jovem guarda. O curto CD não chega a se debruçar sobre esse período, mas inclui exemplares históricos do samba-rock de Erasmo, como Moço (gravado em 1972 por Betinho na trilha sonora da novela global O Bofe), Mané João (lançado por ele em 1972) e Samba da Preguiça (cantado no palco por Nara Leão e lançado em 1973 pelo Trio Mocotó, o grupo que acompanhara Jorge Ben na gênese do gênero). 

Outra parte do disco é ocupada por experiências mais recentes, resultantes do fascínio de gerações mais jovens pelo samba-rock à la Erasmo Carlos, como as composições irreverentes que ele fez para Max de Castro (A História da Morena Nua Que Abalou as Estruturas do Esplendor do Carnaval, de 2002) e Clube do Balanço (Sem Anjo na Multidão, de 2004, um estudo pioneiro sobre os abusos de silicone, botox etc. na carnavalesca estética brasileira). Como convém à hibridez natural de seus sambas, Erasmo elabora para as novas versões arranjos modernos, que casam instrumentos de samba e de rock. O resultado é harmônico como uma (boa) escola de samba

Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba… De Erasmo Carlos. Som Livre.

 

 

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