Algumas peças da exposição. Foto: Elizabeth Bezerra/ CCMPMA
Algumas peças da exposição. Foto: Elizabeth Bezerra/ CCMPMA

Conhecida desde a Grécia antiga, a encáustica é uma técnica mista que alia materiais diversos como cera, pigmento e areia em sua composição – a palavra deriva de enkausticos, que significa gravado a fogo: com o calor as cores se fundem, criando diversas nuances. Em cartaz no Centro Cultural do Ministério Público do Maranhão, a exposição “Identidade: encáustica da alma” reúne telas de Cláudia Sopas, com tamanhos e temas variados.

Cláudia Sopas. Foto: Elizabeth Bezerra/ CCMPMA
Cláudia Sopas. Foto: Elizabeth Bezerra/ CCMPMA

Formada em Letras e Arquitetura, ela vai além, aliando a técnica milenar a outras, como aquarela, nanquim, sobreposição de papéis e outros elementos (em algumas telas se vale de areia e conchas), além de pigmentos regionais, como urucum, páprica e cominho, sobre bases de madeira, vidro, mdf e cerâmica.

O tríptico “Iemanjá”, por exemplo, tem areia e conchas, bem como “Ilha à noite”, em que uma onda quase alcança a lua. O mar volta a comparecer ao temário de Sopas em “Bianas de Lena”.

Noutra tela, as palavras irmandade, respeito, sororidade, igualdade e empoderamento circundam uma “Afrodite” negra, enquanto “Salamandra” é uma mulher de cabelos ruivos.

“Sementes” em forma de canoas abrigam paisagens sobre uma superfície de espelhos. 15 azulejos compõem os “Fragmentos imantados” – lembram ímãs de geladeira, mas produzidos artesanalmente e no tamanho real de um azulejo.

Flores, o mar, antigos cartões postais e a religiosidade na citação à Fátima, em Portugal, estão retratadas na arte delicada de Sopas, cujos quadros estão para além da experiência visual, devendo também ser tocados, a fim de sentir-lhes a textura.

A artista não brinca com fogo: “Amazônia 2019” revela a triste realidade dos constantes incêndios numa floresta já sem cor.

Serviço – “Identidade: encáustica da alma”, de Cláudia Sopas, pode ser visitada no Centro Cultural do Ministério Público (Rua Oswaldo Cruz, 1396, Centro), gratuitamente, até o dia 16 de dezembro, em dias úteis, das 8h às 15h. O espaço comemora um ano de inaugurado amanhã (13), com vasta programação. Neste curto período de tempo já virou referência no circuito cultural da capital maranhense, abrigando expressões artísticas as mais diversas, sempre com conteúdos relevantes e com foco na formação de plateia, estimulando e valorizando a presença de estudantes, sobretudo secundaristas.

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