Italianos sabem celebrar com estilo. Para marcar o centenário de nascimento da arquiteta Lina Bo Bardi (a arquiteta do Masp, do Sesc Pompeia e do MAM de Salvador, entre outros feitos arquitetônicos) os milaneses batizaram uma praça na região de Varesine, novíssimo “business district” de Milão, Itália, com o nome da artista (ao lado de outras duas praças: Alvar Aalto e Joe Colombo). Lina nasceu na Itália, veio para o Brasil em 1946 e naturalizou-se brasileira em 1951, quando construiu a residência Casa de Vidro, no Morumbi, em São Paulo, marco do modernismo.

A historiadora de arte italiana Viviana Pozzoli, doutoranda na Università degli Studi di Milano, escreveu artigo para a revista Arquiteturismo explicando a relação entre Lina e Milão. “Em Milão Lina viveu e trabalhou, fazendo ali seu próprio aprendizado profissional, adquirindo experiências e uma sensibilidade gráfica e arquitetônica que a acompanhariam durante todo o seu percurso de arquiteta”.

A artista diplomou-se em 1939 na Regia Scuola de Arquitetura de Milão. Em 1940, abriu na cidade seu primeiro estúdio, destruído por bombardeios em 1944.

A cidade de Milão também abrigara, em 1994, a mostra Lina Bo Bardi, que Viviana considera que abriu a visão da Europa para a importância da obra da arquiteta ítalo-brasileira. Para Viviana, Lina representa uma ponte entre dois mundos, por ter vivivo entre o velho e o novo mundo.

Segundo lembra a historiadora, Lina sempre fez questão de se definir brasileira, chegando a afirmar, em seu manifesto Curriculum letterario, que considerava o Brasil “meu país duas vezes, minha Pátria de Escolha”. Mais que isso: Lina mergulhou no Brasil profundo, nas estratégias construtivas e culturais de seu povo, e seu legado é um amálgama do saber nacional e do visionarismo vanguardista do pós-guerra.

Com a volta dos cavaletes expositivos de Lina ao Museu de Arte de São Paulo, essa semana, o debate artístico que ela iniciou volta ao centro das atenções da comunidade artística. Não é pouco para um final de ano tão raivoso. 

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