FicaverãoA Itaipava iniciou uma campanha paga no Twitter, com a hashtag #ficaverão. Melhor seria a empresa ter seguido o que sua própria propaganda diz: “Vai, Verão, vai verão”. Por meses, a bailarina Aline Riscado foi exposta à condição de mulher-objeto e até o último momento a equipe de marketing insiste num grande equívoco. Eis as razões:

– A brasileira não é só um corpo escultural para atiçar os instintos primitivos de machos preguiçosos e tarados sentados numa praia qualquer.
– O comercial agride às mulheres em geral, por inúmeras razões, a começar pelo fato de que ela não é uma serviçal dos homens. A propaganda nega direitos já conquistados pelo sexo feminino.
– Por que uma cerveja precisa de uma mulher gostosa (é disso que se trata, não?) em roupas curtíssimas para aumentar as vendas da bebida? Nenhuma mulher deveria ser usada para atrair homens para o consumo. Aliás, qual a dificuladade de as marcas tratarem as pessoas com inteligência?
– Não são apenas homens que consomem cerveja. Mulheres também. Já parou para pensar nisso? A empresa teria coragem de criar uma versão com um homem-objeto? Antes que pensem nisso, uma versão masculina é tão equivocada quanto.
– Deve uma publicidade mexer com o imaginário coletivo e construir verdades a partir de um estereótipo que já deveria ter sido sepultado no século 20?
– A propaganda brasileira precisa parar de tratar mulheres, negros e pobres como seres inferiores. O comercial da Vivo em que o garoto-propaganda ruivo conversa com um homem do interior e retrata a sua família como apenas reprodutores segue a mesma linha.
– Mulheres não precisam, nem devem ser tratadas pelo superlativo, sobretudo por aqueles que as qualificam como uma mercadoria ou por seus atributos físicos.
– A equipe de marketing da empresa é tão desastrosa que usou robôs para responder à campanha patrocinada #ficaverão. Virou motivo de chacota nas redes sociais.
– “Verão” está recebendo bem por estrelar esse comercial e até topou participar de uma última (muitos torcem que seja realmente a última) campanha, com um vídeo de 20 segundos em que pede para ficar. É um trabalho, sim. Mas Aline, acredite, #vaiverão é o que de melhor pode acontecer em sua vida.

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