carl barât, libertino

TO: Carl Barât/Singer, guitarist, composer
FROM: Jotabê Medeiros/Music writer, reporter

Há histórias divertidas em seu livro de memórias, Threepenny, como aquela da Madonna chamando vocês de Strokes nos NME Awards.

Todas as histórias em minhas memórias são verdadeiras. Há ali apenas algumas de muitas histórias, eu poderia escrever muito mais sobre o mesmo período e nunca contar o mesmo caso duas vezes. Mas os advogados pegaram algumas histórias que podiam implicar alguém, e é por isso que saiu com um número limitado delas…

Para alguns, você e Pete foram um tipo de Lennon/McCartney de uma geração inteira. Você acredita que ainda podem demonstrar aquela química para compor música juntos?

Acredito que nós podemos e que sempre teremos.

Pete Doherty teve um relacionamento tempestuoso com Kate Moss, um tipo de moderno conto de fadas, o rock star e a modelo. E eu tenho aqui uma letra recente sua dizendo que “o amor é uma tumba de nostalgia e problemas/Eu esculpi meu nome nas vidas dos meus amores”. Acha que aquele amor de Pete e Kate o ajudou a levar sua vida adiante ou o afundou em mais problemas?

O amor sempre ajuda todo mundo se todo mundo deixa que o amor os envolva. Deixar que isso aconteça é geralmente a parte mais difícil.

O que aconteceu a sua banda Dirty Pretty Things?

Nos separamos. Diferenças demais. Como Marlene Dietrich, eu queria ficar sozinho.

Sua canção nova Run with the Boys é autobiográfica? São os Libertines?

Sim, é sobre estar numa gangue de irmãos e sobre o amor.

Eu vi você, já sem Pete, em Nova York, no Webster Hall, muitos anos atrás. Naquela época, vocês eram chamados de “a melhor coisa que surgiu na Inglaterra desde o Clash”. Assustava?

Sempre foi assustador nos Libertines. Não tinha nada a ver com o hype, era porque sempre houve um colossal turbilhão interno, uma iminência de tragédia, então eu nunca tive tempo de me assustar com o hype.

Querem saber se Libertines Nunca Mais? Ok, essa eu deixei para o fim. Eis o que Carl disse sobre o show-reunião dos Libertines no último verão inglês:

Foi o último show de um futuro visível. Foi o longo e esperado fechamento do primeiro capítulo dos Libertines. Pode ser que haja algum outro capítulo esperando para ser visto.

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

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