Foi MUITO LOUCO o último debate da tarde de ontem no seminário de música do Congressso Fora do Eixo. A mesa (que FAROFAFÁ integrou na figura de Eduardo Nunomura) versava sobre não-sei-o-quê – se tá todo mundo louco, eu também posso, posso não?

Os DJs Patrick Torquato e Alfredo Bello já estavam meio se estranhando na mesa (por conta do “brega”), mas a tensão presente no ar se cristalizou quando o Ribeiro tomou a palavra tentando vocalizar o “ruído”. (Quem é o Ribeiro, minha santa periquita? Alguém me disse que é do Passa-Palavra, mas no final eu perguntei pra ele e ele disse que não, do Passa Palavra não é não.) (E o que é o Passa-Palavra?)

Como eu sou jornalista-e-crítico, mas estava ali desempenhando o papel de plateia, fiquei só observando. Sabe-se lá por que, a fala do Ribeiro tirou todo mundo dos eixos (uai, mas não éramos todos fora-do-eixo?), e o debate entrou em parafuso.
A Ivana Bentes deu pito no Ribeiro e agiu mais como trolladora que como professora do menino (o Nunomura disse que fui cruel de chamar o menino de “menino”, mas é que, putz, o menino me pareceu tão menino!).

O mediador Felipe Altenfelder, menino (ops!) batuta do FdoE, ameaçou sair do eixo e tirar a palavra do trollador trollado, em vez de garanti-la a ele – mas percebeu que o trenzinho descarrilhava, a ponto de dar marcha-à-ré e concluir porretamente a mesa que arriscava virar UFC. Se chegou a parecer censor, terminou como professor, quando a professora Ivana já tinha cansado de aturar o menino-trollador e saíra em busca de umas cervejas (desde que a polícia política tucanistanesa não a prendesse com base na lei seca, aconselhei, como bom policial que sou).

Pesquisador de música “tradicional” brasileira, Bello esboçou rejeitar o pagode, o brega, o funk e o tecnobrega, e recebeu gongada do Chacrinha Torquato, que jogava bacalhau e pedia alegria para todos do alto da cadeira.

“Sertanejo universitário, sim!”, bradou Patrick ecoando o Nunomura – e eu, que sou o crítico, aplaudi sozinho e solitário o discurso pró-música POPULAR brasileira do DJ. Cacilda, mas desde quando crítico aplaude a plateia que tá no palco?!

Falando em plateia no palco: o pessoal das cadeiras ficou nelvoso com o Ribeiro e disparou a crítica em saraivada. Ninguém queria deixar o menino falar. Todo mundo queria dizer para o menino o que o menino devia dizer para todo mundo. E eu comecei a pensar, com saudades do meu ídolo Jorge Ben: deixa o menino brincar, porra!

Moral da história? Nenhuma. O DJ virou o crítico que virou o fã que virou o artista que virou o trollador que virou o Passa-Palavra que virou o microfone. Quando eu tô com o microfone, é tudo no meu nome, como diz o Rappin’ Hood. Em 2001, o Brasil foi dos sertanejos (e não dos funkeiros, Ivana). Como dizia o Tom Zé (e não o Chacrinha), a gente que aqui estamos vinhemos pra confundir, não pra explicar.

E aí éramos os fora-do-eixo, mas, putzgrila, havia algo fora do eixo no Congresso Fora do Eixo! Todo mundo ficou com medo da fala do menino maluquinho (desculpe, Ribeiro, o aparente julgamento – não sei se você é doido de pedra, só sei que eu sou e que o Pablo Capilé também é), mas, ora, ora, por quê?

Todo mundo tem direito de negar a fala a um fora-do-eixo, todo mundo. Todo mundo. Menos outro fora-do-eixo. Por isso o Felipe foi sábio de passar a palavra de volta para o (não) passa-palavra.

Pelo menos foi o que eu achei, sei lá. Quem quiser que conte outra.

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