José Paes de Lira, o Lirinha, está lançando o primeiro disco solo, LIRA.
Ouvi e chapei. Você pode ouvir inteirinho aqui:
http://www.josepaesdelira.net/#!musicas/vstc3=page-2
Pernambucano de Arcoverde, ele andou por aí 11 anos a bordo do Cordel do Fogo Encantado. Fiz uma microentrevista com Lirinha para saber qual é a desse disco.

Que direção é essa que você escolheu trilhar agora?
Escolhi um território novo pra esse trabalho. Escolhi o desconhecido pra inventar minha música. Mergulhei pra dentro da minha própria música. Saí de uma banda consolidada, público grande, imagem definida, por uma questão estética. Pelo desejo de mostrar uma música e uma poesia potencializada pela liberdade que me dei. Fui compositor e intérprete do Cordel do Fogo Encantado por 11 anos, trabalhando com quatro percussões e apenas um violão segurando o harmônico. Agora fiz o LIRA, que ampliou minhas possibilidades melódicas e harmônicas. Os beats não me são estranhos, construí o pulso do disco junto com Pupillo, é o que queria fazer. Sonhava em gravar com o guitarrista Neilton, da banda de punk hadcore mais antiga de Recife (Devotos), há muitos anos. O disco foi todo pensado anteriormente. O som é estranho como tudo que curto fazer em arte, linha de baixo feita por teclados e sintetizadores, standup drums de Pupillo inspirado no The Velvet, a minha poesia livre… E fiz tudo independente, com a tecnologia possível.

Adebayor tem o Lula Côrtes como convidado, pouco tempo antes de ele morrer. Ele virou lenda com o disco Paêbirú, de 1975, com o Zé Ramalho. Além da lenda, o que era Lula Côrtes, em sua opinião?
Um autêntico rocker. Um artista muito criativo que passou grande parte da sua vida consciente de uma doença incurável, na garganta, na sua voz. Isso deu a ele um tratamento com as coisas muito diferente das outras pessoas. Essa participação era uma vontade minha que ganhou força quando Pupillo, assim que aceitou produzir meu disco, pediu pra gravar umas das músicas inspirada no Paêbiru de Lula Cortes e Zé Ramalho. Convidei Lula pra tocar o lendário tricórdio, construido pelo próprio Lula na década de 60. Ele me disse: “Aquele raspa coco? Tá bom, eu levo”, e aí fizemos a faixa Adebayor. Ia gravar voz também, mas ele morreu uma semana depois.

LIRA é o anti-cordel de Lirinha?
Não. Não chega a ser um anti-cordel. Mas é bem diferente. No cordel, por exemplo, eu não me sentia no direito de gravar uma poesia pessoal, em primeira pessoa, com as minhas ilusões e desilusões, porque eu era o vocalista de um grupo, representava outras vidas também. O Cordel já tinha uma poética definida, os símbolos estruturados, como o apocalíptico, o profético, a chuva. Acredito que o verdadeiro trabalho artístico é um suicídio. Eu me dei um recomeço.

Outra lenda no disco é Ãngela Rorô. Que tal gravar com ela?
Gravar com Ângela foi muito bom. Sou fã dela. Escutava muito Ângela em Arcoverde, minha cidade natal. Ela é uma intérprete muito original e uma compositora de altíssima qualidade, pianista também e muito louca, do jeito que eu gosto.

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