chico buarque é filmado por bruno natal durante gravação do novo disco.

foto: mario canivello

ouvi a toadinha nova do chico, “querido diário”. tem uma levada quase que de música caipira, as vozes dobradas penabrancaxavantinhenses. deve ser isso que ele chama de “blues”.
bacaninha, mas confesso que nunca ouvi chico pela música. sempre me fascinou mais a poética.
e “querido diário” me deu gosto, apesar de alguns colegas terem detestado.
tem uns versos finérrimos, do tipo que eu gosto.
“Hoje o inimigo feliz veio me espreitar/Armou tocaia lá na curva do rio/Trouxe um porrete e um porreta mode me quebrar/Mas eu não quebro não/Por que sou macio, viu?”.
As estrofes começam todas da mesma forma, como numa cronologia cotidiana:

“Hoje topei com alguns conhecidos meus…”
“Hoje a cidade acordou toda em contramão…”
“Hoje pensei em ter religião…”
“Hoje afinal conheci o amor…”
“Hoje o inimigo feliz veio me espreitar…”

Os tapados políticos enxergam oportunidade para malhar Chico, como de hábito.
Mas é difícil alguém atingir esse refinamento poético do cara, ele está num patamar muito acima dos colegas – incluindo aí o mais ilustre, Caetano Veloso, que desde Estrangeiro não escreve nada que me emocione.
Não tenho como postar aqui a música, mas imagino que já seja garimpável na internet.

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