andar de chinelo de dedo pelo bairro, pilhérias com o garçom e o manobrista que gostam de ser chamados pelo nome.
aceitar o convite da soraya do brechó para uma roda de samba às 16h do sábado, catar restos de móveis velhos jogados nas caçambas de lixo e fazer novos móveis com eles…
e tomar banhos menos planejados, e fazer carinho em todos os cachorros do bairro que saem para passear…

não tem porteiro, não tem caixa de correspondência.
não tem lobby, não tem sofá para visitas no hall de entrada.
o carro mais luxuoso nas garagens é um novo uno.

olhando para os pés e pensando na menina valente, que acorda cedo e enfrenta o bullying do trânsito, os motoqueiros que a agridem em volta do carro achando que são sexy.

fotografar com o celular os grafites noturnos nas caixas de eletricidade urbanas.
maravilhar-se com meninas com asas de borboleta na feira de manhã.

se o santos ganhar, comemorar com um sorriso largo no empanadas.
se perder, abrir a garrafa de vinho em casa e admirar o lustre feito com garrafas de coca.

todos os astros alinhados, tudo em paz e harmonia.
debate no sofá sobre o novo piercing da garota.
acho que não é mais tempo de sonhar com uma mega-sena, tudo que tinha para dar certo já deu.

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

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