Uma funkeira no Oscar?
Por vias tortas, mas é verdade. Em 2005, a cantora britânica M.I.A. agitou a Marina da Glória, ao lado de Deize Tigrona, cantando o funk Injeção. De origem cingalesa, M.I.A. namorava um entusiasta do pancadão, o DJ e produtor americano Diplo, que infestou seu disco Arular com o funk carioca – o hit Bucky Done Gun tinha samples de Deize Digrona.

Dessa vez, M.I.A. ganhou sem vestir a pele de cachorra.
Saiu hoje a indicação ao Oscar e ela concorre com a canção O Saya, da trilha do filme Slumdog Millionaire, o novo filme do diretor Danny Boyle.
Foi muito mais também a vitória do “Timbaland indiano”, como a cantora definiu seu parceiro, o produtor e compositor A.R. Rahman, que assina a trilha sonora do filme. Ele concorre com a melhor canção original (pela parceria em O Saya, com M.I.A., pela canção Jay Ho e pela trilha inteira, que tem faixas como Gangsta Blues, com o mano BlaaZe).

Capaz de M.I.A., que já teve visto para os Estados Unidos negado por suspeita de militância antiamericana (o pai dela integrou um grupo radical), cantar na noite dos Oscars. Seria ainda mais bacana se ela convidasse a Deize Tigrona.

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter desde 1986 e autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019), Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021), O Último Pau de Arara (Grafatório, 2021) e A Culpa é do Lou Reed (Reformatório, 2024)

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