Gabriele Leite não completou ainda 30 anos e já é um dos mais promissores nomes do violão no mundo. Paulista de Cerquilho, começou a estudar música formalmente no Projeto Guri e hoje cursa o doutorado em Performance Musical nos Estados Unidos, a partir de onde cumpre extensa agenda internacional.
A violonista estreou em álbum solo em 2023, com “Territórios” e lançou o segundo, “Gunûncho”, no fim do ano passado, ambos pela gravadora Rocinante.
Gabriele Leite está de passagem pelo Brasil, literalmente um rasante. Começou a pequena turnê no Queremos! Festival, no Rio de Janeiro, no último dia 4 de abril, abrindo o show de Zeca Veloso e ganhando entusiasmados elogios do pai, Caetano, que se referiu a ela como “divina” e “artista de primeira ordem”. No último dia 7, também no Rio, foi a vez de a Tropicália Discos receber a instrumentista e compositora.
A agenda se completa com mais três apresentações: dia 10 de abril, às 19h, na Livraria Martins Fontes, em São Paulo (apresentação gratuita, sujeita à capacidade do lugar). E fecha a curta temporada no Festival Virtuosi, no Recife, também com apresentações gratuitas: dia 15, às 17h30, ao ar livre, na Av. Rio Branco, no Recife Antigo; e dia 16, no Teatro Santa Isabel, às 19h30.
Entre aeroportos, hotéis, passagens de som, apresentações, elogios do antigo compositor baiano e selfie com o diretor de cinema Walter Salles, vencedor do Oscar, até então inédito para o Brasil, com “Ainda Estou Aqui” (2024), Gabriele Leite conversou com exclusividade com FAROFAFÁ.

SETE PERGUNTAS PARA GABRIELE LEITE
ZEMA RIBEIRO: A base do repertório de tuas apresentações será o dos dois álbuns? Ou tem surpresas pelo meio? O que podes adiantar?
GABRIELE LEITE: Sim, a ideia é colocar as duas trajetórias: “Territórios” e “Gunûncho”. As surpresas são voltadas às memórias do repertório brasileiro, com algumas composições de Garoto [Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955)], Dilermando Reis (1916-1977) e Marco Pereira [violonistas e compositores].
ZR: É uma turnê curta, passando por poucos palcos brasileiros. A que se deve?
GL: A ideia foi implementar em poucas circunstâncias o conceito álbum. Trazendo mais o público para outras ações de divulgação. Com certeza teremos um ciclo no segundo semestre que contemple mais datas.
ZR: A quantas anda o doutorado e como está a agenda no exterior?
GL: O doutorado está perto do seu ciclo final, agora falta apenas mais um ano para a conclusão. A agenda no exterior segue recheada de concertos, solos e de música de câmara. Por exemplo, agora no dia 25 de abril eu farei a abertura do show do João Bosco em New Jersey, no McCartney Theather.
ZR: Você já planeja novo álbum? Já pode revelar algum detalhe do que vem por aí?
GL: As ideias estão sempre presentes. O próximo álbum está se construindo a partir dessa turnê do “Gunûncho”. A troca com outros músicos têm surtido efeito. Acho que o próximo disco contemplará algo ainda mais inusitado.
ZR: Érika Ribeiro [pianista], que produziu teu álbum de estreia, está prestes a lançar um álbum em que revisita a obra de Heitor Villa-Lobos [maestro, compositor e multi-instrumentista (1887-1959)], compositor que apareceu no repertório daquele primeiro trabalho. Você ouviu o álbum dela? O que diz? E me fale também um pouco dessa relação de trabalho e amizade.
GL: Quando eu fiz o convite para Érika produzir o “Gunûncho”, nas primeiras conversas que tivemos houve uma conexão muito fluida. Sabe aquela pessoa que pensa junto, concebe muitas possibilidades artísticas e musicais, se emociona e deixa o processo fluido? Foi assim desde o começo. Eu sou muito fã da Érika Ribeiro, ela tem uma personalidade que parece que encaixa muito com meu modus operandi. Eu percebo que a gente ama o que faz e todas as nossas conversas rodeiam a profundidade da performance. Ela é uma grande referência musical, profissional. Quando, nas gravações de “Gunûncho”, ela me mostrou trechos das composições de Villa-Lobos que iria gravar, eu estou desde setembro do ano passado ansiosa para ouvir a resultante. É um disco para entender a rítmica de Villa-Lobos, do meu ponto de vista.
ZR: Você foi indicada ao Prêmio da Música Brasileira, na categoria de música erudita. Como recebeu a indicação e quais as expectativas por essa importante premiação da cultura brasileira?
GL: A Érika Ribeiro foi quem me deu as boas novas. Eu fiquei muito emocionada e feliz por saber que o trabalho de mulheres intérpretes e compositoras está tendo protagonismo dentro da cena da música clássica no Brasil. É pra comemorar a indicação pela potência desse álbum e a construção coletiva que “Gunûncho” carrega.
ZR: Caetano Veloso ficou super empolgado com teu trabalho. O que significa, para você, a chancela deste grande mestre da música popular brasileira?
GL: É de um privilégio imensurável ter esse grande mestre da música popular brasileira apreciando o meu trabalho, e eu fico feliz de estar vivenciado tudo isso ainda muito jovem. Não tem coisa melhor do que poder ver o resultado de todos os anos investidos em muito trabalho, disciplina e dedicação sendo apreciado por Caetano Veloso e outros grandes artistas presentes.

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