
A casa leiloeira Bolsa de Arte anunciou nesta terça-feira, 5, a realização de um leilão de 1.500 mil peças da coleção privada do museólogo, curador, escultor e pesquisador baiano Emanoel Araujo (1940-2022) entre os dias 25 e 28 de setembro próximos. Parte das peças a serem leiloadas estará exposta para eventuais interessados a partir desta quarta-feira, às 11 horas, em uma mostra na rua Barão de Capanema, 457, nos Jardins, em São Paulo. O leilão será na sede da Bolsa de Arte em São Paulo (rua Rio Preto, 63, Jardins).
Emanoel Araujo criou o famoso Museu Afro, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, em 2004, e dedicou integralmente ao museu sua energia criadora, tanto de colecionador quanto de curador, durante 18 anos. Expert em arte afro-brasileira, foi diretor do Museu de Arte da Bahia (1981-1983) e educador – lecionou artes gráficas e escultura no Arts College, na The City University of New York (em 1988). Por isso, causou certo espanto a notícia de que parte de sua coleção privada irá a leilão – o mais admissível seria que ela fosse incorporada ao acervo do museu que criou, pela pertinência.
A Bolsa de Arte informou a FAROFAFÁ, no entanto, que a venda dos 1.500 itens da coleção privada do artista, que estavam em seu apartamento em São Paulo, foi determinada pelo próprio artista e museológo. “A decisão da venda foi tomada pelo próprio Emanoel Araujo e declarada em testamento”, afirmou a assessoria da casa leiloeira. Segundo a Bolsa de Arte, a coleção inteira do artista reúne ao todo quase 5.000 obras, e o leiloeiro informou que “os 2.800 itens que estão em comodato no Museu Afro Brasil não estarão à venda”. Jones Bergamin, o leiloeiro, afirmou que, durante a catalogação do acervo, a Bolsa de Arte destinará ao Museu Afro documentos, cartas e manuscritos do artista que forem encontrados. “Ou seja, a produção intelectual de Emanoel, assim como a obra plástica de sua autoria, não serão comercializadas”, informou, no release do leilão.
O acervo que irá a leilão tem diversidade e consistência de colecionismo impressionantes, segundo a divulgação da Bolsa de Arte. A obra mais valorizada é “Alegoria da América” (1590), um óleo sobre tela de Niccolò Frangipane, renascentista italiano que atuou entre 1563 e 1597. A pintura está estimada em R$ 1 milhão. Há também peças de Rubem Valentim, Xavier das Conchas e Franz Krajcberg, uma poltrona Jangada assinada por Sérgio Rodrigues e “Naná Negra”, escultura da pintora, escultora e cineasta Niki de Saint Phalle (1930-2002), presenteada a Araujo quando da vinda da francesa para uma mostra na Pinacoteca do Estado, em 1997. A peça vai estar exposta em uma das escrivaninhas que pertenceram ao artista, acompanhada de uma carta escrita de próprio punho por Saint Phalle naquele ano.
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QUERO APOIARNa mostra que será montada nesta quarta-feira será reproduzido o ambiente em que Araujo, morto aos 81 anos no ano passado, exibia sua coleção em seu apartamento. Haverá uma montagem do escritório, da cozinha e da sala de jantar do museólogo, com peças africanas e de origem Iorubá, móveis, louças e obras de artistas como Carlos Bastos, Xavier das Conchas, Carybé, Rubem Valentim, Francisco Brennand, João Câmara, Siron Franco e Franz Krajcberg, entre outros. O acervo conta ainda com anéis, esculturas e moedas antigas e imagens religiosas que têm relação com a história da escravidão no Brasil.
Após algumas semanas de exposição, em 25 de setembro, a casa leiloeira dará início ao leilão presencial durante quatro noites para receber os lances. Depois, a negociação segue por mais 30 dias no site www.bolsadearte.com. Diversas peças terão lance livre, sem um valor mínimo estipulado, o que possibilita a participação de um público mais amplo.

“Naná Negra”, escultura da francesa Niki de Saint Phalle, que esteve no Brasil em 1997




