por falar em rogério duprat. a editora azougue lançou há pouco o livro “entrevistas bondinho” (azougue), um apanhado das entrevistas musicais e teatrais que o jornal (“underground”? “indie”? independente?) praticou lá nos passados de 1972.

lá pelas tantas, aparece não uma entrevista, mas um texto assinado (em “3 abril de 1972, de manhã”) pelo já então arredio duprat. olha só se esse homem de 1972 não morava em 2009 (e olha nós aqui, neste império – ou república?, ditadura?, ditabranda? – do código chamado/a internet):

“A maior tristeza é a invasão da representação, da imagem, na área do trabalho; milhões sobrevivem à base de ofícios pseudo-eventuais, que não existem: professores, corretores, motoristas, artistas, políticos, psicologistas, soldados, jornalistas, burocratas, juristas, espiões etc., tudo, enfim, que serve para organizar, exigir ou iludir a aplicação dos códigos. Essa é a terrível imposição: compelir a maioria da humanidade a operar ao nível do código, daquilo que seria só uma forma de disciplinar o comportamento coletivo, e que acaba por se tornar a própria razão da existência do indivíduo e da sociedade. Flanar montado em bolhas de sabão. Robotização kafkiana. O pseudo. O nada. O prestígio. O signo, a representação. O chato é que, em cada caso, o fascínio do paradigma está lá, para tentação dos pretendentes-aprendizes-candidatos a topo. Por simples e elementar comparação, optar pela grande vida do prestígio e do sucesso é mais cômodo… A gênesis já dizia que no princípio era o verbo”.

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