textinho ligeiro sobre bob dylan, da “carta capital” 545 (13 de maio de 2009).

DYLAN EM LUA-DE-MEL

Se alguém, no campo artístico norte-americano, foi beneficiado pelos anos Bush, esse alguém se chama Bob Dylan. Não sem certa ambigüidade, a imagem do artista hoje quase septuagenário subiu uma vez mais ao primeiro plano, reencarnando talvez os humores de insatisfação e protesto que o fizeram grande nos anos 1960. O folk voltou à tona, e conta até com inusitada voga no Brasil, de nomes novos como Vanguart e Mallu Magalhães.

Em Together Through Life (Sony), Dylan avança pela era Obama adentro, adocicado por canções de amor quase otimistas e motivado por expressões afirmativas como as de It’s All Good e da faixa-título. Em grande parte do CD, uma sanfona agridoce aveluda a voz áspera e amacia faixas quase alegres, como Beyond Here Lies Nothin’ e I Feel a Change Comin’ On. Evoca à distância o monumental álbum Desire (1976) e reaproxima o autor de um ambiente sonoro cigano, acaipirado.

Talvez para provar que nem tudo são sorrisos e acenos, Dylan preserva em Life Is Hard o tom de fossa amorosa e o andamento arrastado, soturno. A coleção de críticas favoráveis e a escalada a alguns topos de paradas atestam que a lua-de-mel entre o velho poeta e seu rebanho prossegue. – POR PEDRO ALEXANDRE SANCHES

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Editor de FAROFAFÁ, jornalista e crítico musical desde 1995, autor de "Tropicalismo - Decadência Bonita do Samba" (Boitempo, 2000), "Como Dois e Dois São Cinco - Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa)" (Boitempo, 2004) e "Álbum" (Edições Sesc, 2021-2026)

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