O cantor e compositor Ian Ramil. Foto: Tuane Eggers/ Divulgação
O cantor e compositor Ian Ramil. Foto: Tuane Eggers/ Divulgação
"Macho-Rey". Single. Capa. Reprodução
“Macho-Rey”. Single. Capa. Reprodução

Originalmente lançada por Juliana Cortes em “3” (2020), “Macho-Rey”, sua parceria com Ian Ramil, ganha agora releitura do gaúcho, que lança o segundo single de “Tetein”, terceiro álbum do artista, que sucede “Derivacivilização” (2015) – vencedor do Grammy Latino 2016 de Melhor Disco de Rock – e chega às plataformas digitais dia 23 de junho. A capa do single, com foto de Carine Wallauer e design de Afonso de Lima, traz um desenho de Nina Ramil, filha do artista, que inspirou o novo álbum.

Quando escrevi sobre o disco da paranaense, anotei, sobre a música: ““Macho-Rey” escarafuncha fundo a ferida do machismo nosso de cada dia: “lá vem o tiozão, o macho-rey/ rastando havaianas pelo chão/ sorriso asa de avião/ discurso descarga de caminhão/ quem vê não diz que ele arrepia o corpo todo sempre que ouve o meu som”. Continua, escarnecendo a masculinidade frágil de quem “adora piada de negro e gay/ de peito inflado, faraó/ corrente de ouro à luz do sol/ roçando a camisa de futebol/ quem vê não diz que ele se achou um nada quando leu Eliane Brum”, citando a jornalista, escritora e documentarista feminista. Para arrematar: “seja homem-não””.

A grande surpresa da gravação de Ian Ramil é a presença da própria Eliane Brum no videoclipe do petardo antimachista. Ao mesmo tempo game player em um chat e personagem do próprio jogo que joga, Brum azeda o almoço de homens decrépitos, o perfeito estereótipo do bolsonarista médio.

Com tintas surrealistas, o videoclipe acompanha a saga de um menino que é espirrado em sua própria festa de aniversário e se vê assustado, cercado por familiares grotescos, indesejáveis – situação vivida por muitos de nós mesmos nos tradicionais almoços de fim de semana e confraternizações de fim de ano, com relações familiares esgarçadas por questões que estão para muito além de preferências políticas, partidárias ou ideológicas, feridas ainda não saradas no tecido social brasileiro. A releitura ganha contornos tragicamente atuais.

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Ian Ramil (vozes, violões aço, synth, programação, teclado de computador e estalo de dedos), que assina a produção da faixa, é acompanhado por Martin Estevez (bumbo), Bruno Vargas (baixo) e Julio Rizzo (trombone). O videoclipe de “Macho-Rey” tem direção de Davi Pretto, roteiro de Diones Camargo e Ian Ramil, direção de arte de Martino Piccinini, direção de fotografia de Edu Rosa e montagem de Bruno Carboni.

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