O ex-coordenador de gabinete do Iphan, Ricardo Pettená, exonerado há uma semana, durante salto de paraquedas

O governo exonerou na semana passada o paraquedista Ricardo Pettená do cargo de Coordenador do Gabinete do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A nomeação de Pettená, em junho de 2020, um oficial da reserva do Exército, empresário e instrutor de skydive sem qualquer experiência na área do patrimônio, preservação ou arquitetura, causou espécie na época. Ele mantinha uma escola de paraquedismo na região de Campinas (SP). Foi nomeado pelo ex-ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio.

A demissão de Pettená e de outros servidores e de inúmeros superintendentes regionais do Iphan se insere no processo de desbolsonarização do instituto, que foi brutalmente aparelhado para deixar de opor-se às políticas de especulação, ideologização e compadrio apoiadas e conduzidas pelo governo de Jair Bolsonaro. O novo presidente do Iphan escolhido pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, é o sociólogo Leandro Grass. Também na última semana, Grass nomeou os servidores do Iphan para atuarem no exercício do poder de polícia administrativa do instituto, já com o intuito de fazer uma varredura nas ações da gestão anterior.

DENÚNCIA

O diagnóstico da inação do governo bolsonarista, de sua má gestão e mesmo de seus atos antirrepublicanos começa a vir à tona com a saída dos acólitos do regime.

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Servidores do Iphan denunciaram ao FAROFAFÁ essa semana uma cena de descaso que, se confirmada, é de extrema gravidade. Segundo os funcionários, o acervo da biblioteca e do Arquivo da Superintendência do Iphan no Rio de Janeiro está, desde fevereiro do ano passado, depositado em condições precárias no andar térreo do prédio do Ministério da Fazenda, no Centro do Rio. Há uma obra de reforma em curso bem ao lado do material sob guarda daquela repartição.

Conforme a denúncia, registrada em fotos (abaixo) pelos servidores, as portas do local, onde está depositada toda a documentação referente a intervenções realizadas para a preservação dos 244 bens federais tombados no Estado do Rio de Janeiro, se encontram permanentemente escancaradas. O acesso é livre tanto para quem quiser registrar o descaso quanto, eventualmente, para pessoas alheias ao serviço público, colocando em risco todo o material ali armazenado. O acervo é constituído por projetos, plantas, fotos, textos históricos e documentos, mas não pode ser acessado por pesquisadores desde a pandemia e não tem nenhuma expectativa de receber tratamento adequado.

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