Área em que foi derrubada a construção que antigamente servia de sede administrativa do Parque Ibirapuera

Privatizado há dois anos pelo então prefeito Bruno Covas (1980-2021), o Parque Ibirapuera derrubou há alguns dias uma edificação que servia como sede administrativa do parque até recentemente. A demolição foi levada a cargo pela empresa que gere o parque atualmente, a Urbia, e a casa demolida ficava nas imediações do Pavilhão da Bienal, principal edifício do conjunto.

A edificação demolida não pertencia aos prédios tombados do projeto de Oscar Niemeyer, mas integrava-se às construções de apoio que existem pelo parque, como a casa que abriga o Bosque da Leitura e a sede do Centro de Convivência e Cooperativa do Parque Ibirapuera (Cecco), erguidas a partir dos anos 1980. O Parque Ibirapuera é tombado pelo Condephaat (órgão estadual do patrimônio) e pelo Conpresp (órgão municipal do patrimônio) na sua totalidade – ou seja, edifícios e área verde, incluindo até mesmo a ponte de ferro. Já os famosos edifícios projetados por Oscar Niemeyer foram tombados pelo Iphan (órgão federal de patrimônio) em 2016.

Pelas leis do tombamento, faz-se necessária a prévia manifestação do patrimônio para a realização de intervenções no bem tombado e na sua área de entorno. Como a casa demolida fica muito perto do conjunto da Bienal, a reportagem entrou em contrato com a empresa responsável, a Urbia, que alegou ter obtido autorização dos três órgãos do patrimônio. A empresa também informou que a tempestade de 2014, que derrubou árvores sobre a edificação, a condenou para uma eventual reforma.

Construção que foi demolida pelo atual gestor do Ibirapuera logo após a queda de uma árvore, em 2014

Uma placa na área da demolição faz a defesa publicitária da intervenção: “Obra pra que?”, diz o aviso. “Para mais conforto. Para mais tecnologia. Para mais acessibilidade. Para mais atrações. Para mais diversidade. Tudo isso para você!”

Usuários e funcionários do parque relataram ter ouvido que o projeto para o local inclui a construção de uma academia de ginástica e uma padaria. Até o momento, dois anos após ter assumido a gestão do parque, a Urbia tinha apenas credenciado quiosques e serviços que não tinham promovido alteração substancial na paisagem do Ibirapuera.

A empresa Urbia enviou a seguinte nota ao FAROFAFÁ, reproduzida aqui na íntegra:

A Urbia informa que o Plano de Intervenção do Parque Ibirapuera foi enviado para todos os órgãos de tombamento por meio do escritório técnico, que reúne os três órgãos da esfera Federal, Estadual e Municipal. A Concessionária esclarece que a obra de demolição do antigo prédio administrativo do Parque Ibirapuera foi aprovada nas três esferas, pois o edifício estava condenado desde que foi atingido pela queda de uma árvore em dezembro/2014.

A Urbia afirma ainda que o projeto de intervenções prevê naquele local um centro de referência e apoio à prática esportiva para as mais de 37 modalidades presentes no Parque Ibirapuera e que não será uma academia.

Segundo um levantamento feito pelo jornal britânico The Guardian, o Parque Ibirapuera está entre os 10 melhores parques urbanos do mundo. Segundo o jornal, isso se dá porque o parque “é exuberante, curvilíneo em todas as direções, às vezes misterioso, e às vezes surge em cores poderosas”. Visitado por 14 milhões de pessoas em 2017, possui 221 hectares e o projeto paisagístico foi idealizado por Burle Marx.

ATUALIZAÇÃO: A assessoria da empresa Urbia informou nesta segunda-feira, 14, que o termo privatizado utilizado na reportagem não é correto, o certo seria concessionado – a Urbia iniciou a gestão em 2020 e a concessão terá duração de 35 anos.

 

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