Um conto para Davi dormir. Capa. Reprodução
Um conto para Davi dormir. Capa. Reprodução

Escrito e ilustrado por Susana Pinheiro, conto marca estreia da artista plástica na literatura

O Davi do título do livro de Susana Pinheiro é seu filho, hoje com 11 anos, e a história que ela conta, evocará as melhores lembranças nos meninos e meninas que teimamos em guardar em nós, apesar de atualmente tudo no mundo recomendar absolutamente o contrário.

“Um conto para Davi dormir – memórias de minha infância” (Viegas Editora, 2021, 68 p.) é fabular e autobiográfico: a autora inspira-se no que diz o subtítulo, as origens e férias passadas na Baixada maranhense.

Quem conhece a artista plástica talvez estranhe: trata-se de sua estreia como escritora, mas, como não poderia deixar de ser, sua prosa elegante e agradável, com o domínio do tema abordado de que só é capaz quem viveu o que conta, o texto vem literalmente emoldurado por aquarelas que, junto dele, nos permitem uma viagem no tempo e na geografia da Viana quase natal desta ludovicense.

O conto escrito e ilustrado por Susana revela a história de um Joãozinho que bem poderia ser o das piadas, mas o sobrenome Perfeitinho com que nos é apresentado já afasta, de cara, essa possibilidade. O menino gosta de brincar, vive uma realidade real – redundância intencional – entre, árvores, bichos, riacho, bola, aprendizado, diálogo e respeito à mãe, sem a mediação de telas.

Evoca-se também a questão da memória, seja através das vivências de uma infância inocente e feliz, seja a lembrança de um ente querido, tema que merece atenção, num tempo em que, no Brasil, a morte tornou-se algo banalizado.

O livro de Susana Pinheiro, aliás, nada literalmente contra a corrente de um Brasil brutalizado e entristecido e, por isso mesmo, irreal: estão em sua prosa e ilustrações amor, infância, afeto, respeito, memória, meio ambiente, cultura, lições de vida, modos de vida tradicionais, em um passeio guiado por sua mente e mãos hábeis em contar uma boa história.

Essa história com cheiro e sabor de infância, que acalentou Davi, deve levar-nos a sérias, profundas e urgentes reflexões, sem perder a ternura nem a criança que habita em nós.

Serviço: “Um conto para Davi dormir – memórias de minha infância” foi publicado com recursos da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, no Maranhão administrados pela Secretaria de Estado da Cultura (Secma). A noite de autógrafos acontece nesta quinta-feira (24), às 19h, na Livraria Espaço Cultural Amei (São Luís Shopping, Jaracaty).

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