As Cangaceiras reestreia em São Paulo
O musical "As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão", de Newton Moreno, reestreia em São Paulo - Foto: Eduardo Nunomura

Será uma longa temporada, e presencial. As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão reestreou agora no Teatro Tuca, em São Paulo, e ficará em cartaz até 12 de dezembro. Musical que estreou em 2019 no Teatro Sesi, na Avenida Paulista, precisava de um palco. Por mais que o teatro filmado tenha se tornado um alívio para artistas e público durante a pandemia, alguns espetáculos demandam a arte do encontro. Este é um deles.

As Cangaceiras tem texto e letras do recifense Newton Moreno, que ousa inventar um novo e fictício olhar sobre o universo do sertão nordestino. Ousadia, porque essa história dificilmente teria guarida na realidade. Mas seria tão bom se tivesse existido mesmo um bando de guerreiras a romper com os mecanismos de violência da vida sertaneja.

O enredo é simples e segue Serena (Amanda Costa), que parte em busca do filho, que ela julgava ter sido morto a mando do marido, Taturano (Marco França). Lampião da segunda divisão, Taturano age como o nordestino macho que se orgulha de sua macheza. Seu bando o segue como um bando de cordeiros. Já Serena não é uma Maria Bonita. Em sua jornada, ela encontra outras mulheres que são vítimas da violência do cangaço, e vão, uma a uma, se unindo em torno de uma luta coletiva. Elas empunham as armas que encontram pelo caminho, mas também amor, empatia, sororidade, feminismo, coragem e um grande desejo por liberdade.

Cena de "As Cangaceiras"
Cena de “As Cangaceiras”, em cartaz no Teatro Tuca – Foto: Adriano Dória

As histórias paralelas trazem alguma leveza para esta epopeia que poderia fincar um pé apenas no drama. Zaroia (Luciana Ramanzini) e Promesinha (Miton Filho) formam um par que se separa, mas bem poderiam terminar juntos. Ela, em particular, parte em busca de uma descoberta pessoal, a partir do encontro afetivo que terá com Viúva (Luciana Lyra). Mocinha (Rebeca Jamir), uma voz talentosa, cresce ao longo de As Cangaceiras, e é personagem que une as pontas da história.

A direção musical é de Fernanda Maia e a direção de Sergio Módena. Vencedor do prêmio APCA de melhor dramaturgia, As Cangaceiras bebe na fonte da cultura nordestina, tanto pelas falas quanto pelos cantos. O #nãoénão emerge do texto de Newton Moreno a todo momento, lembrando que nos dias atuais bradar contra a violência de gênero é uma obrigação. Nos bandos do cangaço, se é verdade que mulheres ingressavam por livre escolha, outras eram sequestradas, abusadas, desrespeitadas e tinham de entregar suas vidas a uma sociedade opressora. O musical dá o direito de pensar que revoluções acontecem e que elas começam pequenas, mas podem se tornar gigantes.

As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão. De Newton Moreno. No Teatro Tuca, até 12 de dezembro de 2021. Às sextas-feiras e sábados, às 21 horas, e domingos, às 19 horas (duas horas de espetáculo). Ingressos a R$ 100.

 

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