Tutuca e Bolsonaro
O pastor Edilásio Barra, o Tutuca, chegou à Ancine como o preferido do presidente e sai como réu na Justiça Federal

A Ancine exonerou hoje o pastor Tutuca do cargo de Superintendente de Políticas de Financiamento da agência. Como o mandato do pastor como diretor substituto da Ancine venceu no último dia 1º de agosto (era um mandato provisório, de seis meses, para o qual ele já foi reconduzido irregularmente duas vezes), é possível afirmar que acabou a passagem de Tutuca pela cúpula decisória das políticas do setor audiovisual do País.

Edilásio Santana Barra Junior, o pastor Tutuca, chegou à Ancine com as credenciais de amigo do presidente Jair Bolsonaro, tendo feito caixa para a campanha do então candidato a presidente em outubro 2018, segundo declarou em entrevista à BBC Brasil em junho de 2019: “(…) Eu fui coordenador de campanha do Bolsonaro e do PSL no Rio Grande do Sul. Eu ajudei a organizar e fazer quatro deputados federais no Rio Grande do sul, quatro estaduais, uma mulher chamada Carmen Flores com quase 1,5 milhão de votos (Carmen, que chegou a gastar 35 mil do fundo partidário na loja de um sobrinho, concorreu ao Senado e perdeu). Eu ajudei na coordenação, no marketing e nas plataformas digitais”, afirmou. Progressivamente, foi perdendo terreno nas suas pretensões de se tornar o presidente da Ancine – a última “rasteira” foi dada pelo próprio Bolsonaro, quando retirou sua indicação para a sabatina do Senado que o tornaria diretor com mandato. Saindo da Ancine, sobram pra ele duas ações civis públicas que o tornaram réu na Justiça Federal, pelas quais ainda vai responder.

Quase simultaneamente, a Ancine “importou” do BNDES, por tempo indeterminado, um novo servidor, Rafael Costa Strauch, para inicialmente preencher um cargo de assessor. É curioso que tenha havido essa transferência, já que Strauch tinha certa influência no BNDES, e as benesses da instituição financeira são muito superiores às de uma agência regulatória. Especula-se que ele seja automaticamente indicado para a diretoria para ocupar a vaga que era de Mariana Ribas, cujo mandato terminaria em julho de 2022. Assim, ocuparia a última vaga aberta na diretoria colegiada, completando o time que pretende controlar a instituição até 2026, com as bênçãos do Senado Federal (que efetivou dois réus por improbidade administrativa) e a satisfação do presidente Jair Bolsonaro.

A peculiaridade é que Strauch foi vice-presidente de Administração do Clube de Regatas Flamengo no Rio de Janeiro, e estava há um ano e meio fora do cargo quando aconteceu o incêndio, em 8 de fevereiro de 2019, que matou 10 garotos entre 14 e 17 anos da base do time no chamado Ninho do Urubu. Para apurar responsabilidades da gestão do Flamengo na tragédia, Strauch chegou a ser inquirido na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, depoimento no qual negou conhecimento das condições improvisadas em que os garotos viviam no Centro de Treinamento, em um contêiner.

 

Siga-nos no Google Notícias
PUBLICIDADE

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome