O artista plástico Uendell Rocha. Retrato: Zema Ribeiro
O artista plástico Uendell Rocha. Retrato: Zema Ribeiro

Artista inaugurou hoje duas exposições em São Luís. Farofafá visitou “O universo da pescaria”

Aconteceu hoje pela manhã (11) o vernissage da exposição “O universo da pescaria”, do artista plástico Uendell Rocha, no Espaço de Artes Ilzé Cordeiro, no Centro Cultural do Ministério Público (Rua Oswaldo Cruz, 1396, Centro) – a exposição fica em cartaz até 12 de março. Também foi aberta hoje outra exposição do artista, “Cotidiano simples”, em cartaz no Espaço de Artes Márcia Sandes (inaugurado com uma exposição dele em 2002), na sede da Procuradoria Geral de Justiça (Av. Professor Carlos Cunha, 3261, Calhau).

Natural de Primeira Cruz/MA, Uendell, nascido em 18 de fevereiro de 1973, foi criado em São José de Ribamar. O universo que intitula sua exposição lhe é, portanto, familiar. Dono de uma técnica peculiar, usando carvão sobre tela ou sobre papel canson, ele consegue ampliar as possibilidades do preto e branco e seu jogo de sombras.

As molduras de algumas das cerca de 20 telas em exposição, produzidas entre 2018 e 2021, são feitas de madeira de mangue, “encontradas na praia, eu não corto o mangue”, como o artista fez questão de explicar. As telas emolduradas em vidro também são sustentáveis: Uendell reutilizou molduras de fotos oficiais que foram parar no lixo da Prefeitura Municipal de São José de Ribamar. E um pallet emoldura quatro quadros retratando frutos do mar.

“Eles são felizes. É difícil ser feliz, no momento que o país vive, com essa pandemia, mas eles são felizes”, comentou, sobre personagens retratados em suas telas, homens, mulheres e crianças simples, no que esta exposição dialoga com aquela, no que a beleza de “O universo da pescaria” de Uendell Rocha dialoga com as canções praieiras de Dorival Caymmi, entre a gente comum que desfila por versos e telas e as paisagens visuais e sonoras de encher olhos e ouvidos (e de dar água na boca, às vezes).

A quem ousar julgar de modo reducionista a exposição a partir de seu título, o conjunto de telas traduz mais do que supõe: modos de vida, diversão, a vida em comunidade e sua consequente solidariedade, a vila de pescadores uma espécie de microcosmo de um mundo bucólico, quase perdido.

A exposição tem curadoria de Dulce Serra e Francisco Colombo e marca a abertura do calendário cultural de 2021 do CCMP, abalado, como qualquer outra instituição cultural, pela restrição à circulação de pessoas provocada pela pandemia de covid-19. No vernissage, todos os presentes usavam máscaras e respeitavam o distanciamento social.

"Tristeza ou alegria", "Abuso" e "Máscara de folha", as três telas que o artista fez por encomenda da Procuradoria Geral de Justiça. Foto: Zema Ribeiro
“Tristeza ou alegria”, “Abuso” e “Máscara de folha”, as três telas que o artista fez por encomenda da Procuradoria Geral de Justiça. Foto: Zema Ribeiro

Três telas, “Tristeza ou alegria”, “Abuso” e “Máscara de folha”, fogem um pouco à temática central da exposição e foram produzidas a pedido da Procuradoria Geral de Justiça, que adquiriu a segunda para compor seu acervo e a exibirá em um grande painel em sua sede, por ocasião do dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Com a tela “No cangado” Uendell Rocha presenteou o Procurador Geral de Justiça do Estado do Maranhão Eduardo Nicolau, que agradeceu fazendo uma promessa: “esta passa a ser a tela número 137 de minha coleção. Toda a minha coleção será doada para o acervo do Ministério Público do Maranhão, eu faço questão, quando eu morrer”. A tela mostra um homem dominando os rumos de um barco a vela.

Como o próprio Uendell domina sua arte: as telas são todas em preto e branco, mas é possível, em suas nuances, perceber um mosaico de emoções e lembranças, como quem colore o calor da areia da praia, o sabor do pescado e transpõe isso para as telas num sentido de preservação.

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