Morreu hoje aos 95 anos em Petrópolis, no Rio de Janeiro, o chargista italo-carioca Lan. Digo italo-carioca porque sua alma era mais carioca que brasileira, e mais brasileira que italiana. Basta olhar seus desenhos. Estava internado havia dois meses com pneumonia no Hospital da Beneficência Portuguesa de Petrópolis.

O traço de Lan é uma influência muito maior do que aquela que é geralmente lembrada pelos influenciados, um leque que vai de Ziraldo a Benício, de Loredano aos irmãos Caruso, entre muitos outros. Rubro-negro doente, dizia-se “anarquista de centro” e trabalhou em boa parte dos veículos de imprensa históricos do Brasil, desde a Última Hora (trazido por Samuel Wainer) até o Globo e ao Jornal do Brasil.

Nascido na Toscana, na Itália, em 1925, estava no Brasil desde os anos 1950. Lanfranco Aldo Ricardo Vaselli Cortellini Rossi Rossin tornou-se cidadão honorário do Rio em 1972. Desenhava o Rio com uma paixão, uma exuberância e uma euforia que seu desenho contagiava. Era um boêmio incorrigível, sempre em rodas de samba, amigo de Zeca Pagodinho e amante da boa música. Casou-se há cinco décadas com Olívia Marinho, uma passista do Salgueiro. Em 2014, foi homenageado pela escola de samba Renascer de Jacarepaguá, que lhe dedicou um samba de Moacyr Luz e Claudio Russo.

O Farofafá homenageia Lan recuperando uma rara ilustração que ele fez, um cartão de Natal para a gravadora Philips em 1967 com a nata da MPB (para alguns, ilustrou capas de disco, como Nara, de Nara Leão, naquele mesmo ano): Caetano, Elis, Sergio Ricardo, Gil, Ronnie Von…

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