Ancine
Operários encarregados de arrancar cartazes de filmes colados por manifestantes no tapume da sede da Ancine, no Rio

Sucessivas notícias na imprensa de irregularidades, ilegalidades e problemas de gestão na Agência Nacional de Cinema (Ancine) levaram a direção da instituição a mirar nos suspeitos de sempre: os servidores. A direção da Ancine exonerou oito servidores nas últimas duas semanas, em um momento em que o correto seria reforçar o efetivo da agência, por conta do passivo de prestações de contas e da ineficiência do órgão no estímulo à área audiovisual, paralisada.

Os funcionários têm manifestado nas redes sociais seu descontentamento com as exonerações, que consideram perseguição. A maior parte das exonerações são de cargos em comissão, o que significa que os afastados seguem no serviço público, mas o problema está no método: pessoas que se recusam a cumprir tarefas que não são parte de suas atribuições são sumariamente exoneradas (mesmo servidores com 6 anos de experiência no trabalho técnico).

O atual diretor-presidente da Ancine, Alex Braga Nunes, manifestou particular desagrado com o vazamento da notícia de que nomeara um executivo, Paulo Braga Mello, que tinha bens bloqueados pela Justiça e respondia a processo por improbidade administrativa. Braga o colocou na Gerência de Tecnologia da agência – Mello é ligado ao Centrão do Congresso e, nesse momento, a Ancine está no centro dos interesses desse grupo, quando Alex Braga Nunes busca garantir sua permanência na direção – ele está no fim de seu mandato. O bolsonarismo tem interesse nessas negociações. Nesse clima, a direção levanta suspeições para todo lado.

Quase nenhuma iniciativa para minorar os problemas do setor audiovisual tem partido da atual gestão da agência, fragmentada e propensa ao dirigismo ideológico e cultural. Ontem, a agência anunciou apenas mais um estudo, uma consulta pública, para testar os limites dos incentivos fiscais que abastecem seus recursos. No dia 22 de abril, lançou um plano com “medidas para mitigar a situação da Covid-19 e para regularizar as atividades operacionais da Agência”, mas nada saiu do papel até agora.

A Agência Nacional de Cinema é vinculada à atual Secretaria Especial de Cultura do governo federal. A secretária, a ex-atriz Regina Duarte, vive momento turbulento no cargo: sua permanência teria sido assegurada na quarta-feira após reunião com Jair Bolsonaro, mas há especulações de que o presidente negocia com outros apoiadores sua substituição. Na segunda-feira, foi reconduzido ao cargo o ex-presidente da Fundação Nacional de Arte (Funarte), Dante Mantovani, que tinha sido um dos primeiros demitidos por Regina ao assumir o cargo, há três meses. Pouco antes da reunião de Regina com Bolsonaro, Mantovani foi novamente exonerado.

O maestro, que ficou menos de um dia no cargo, escreveu ontem no Twitter: “Fui reconduzido à presidência da Funarte pelo excelente trabalho que vinha fazendo e que foi bruscamente interrompido pela sra. Regina Duarte, que condicionou sua permanência na Secretaria da Cultura à anulação dessa nova nomeação, não deixando assim outra opção ao nosso PR (presidente, na abreviação incorreta de seus apoiadores)”.

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