Ibrahim e Qutaiba observam sua "casa" em Aeroporto Central, de Karim Aïnouz.
Um documentário do cearense Karim Aïnouz retrata a história do Aeroporto de Tempelhof, em Berlim, desativado e transformado em parque e abrigo. Foto: JuanSarmiento

Um documentário do cearense Karim Aïnouz retrata a história do Aeroporto de Tempelhof, em Berlim, desativado e transformado em parque e abrigo

A pandemia transfere estreias de cinema para as plataformas de streaming, e este é o caso do documentário Aeroporto Central, do cearense radicado na Alemanha Karim Aïnouz. Lançado originalmente na Alemanha, o filme trata do aeroporto de Tempelhof, construído em 1923 na região central de Berlim, utilizado pelo poderio bélico de Adolf Hitler, ocupado pelos soviéticos e tomado pelos norte-americanos em 1945 e posteriormente desativado.

Aïnouz chega ao Tempelhof em 2015, quando os hangares do aeroporto passaram a funcionar como um dos maiores abrigos para refugiados no país. Os cenários de fundo são os gramados e pistas transformados em parque público, utilizados por patinadores e ciclistas no verão e por esquiadores no inverno. A maior parte da ação acontece nos hangares ocupados por refugiados sírios, iraquianos, afegãos, ucranianos e de outras nacionalidades. Ao longo de um ano, acompanha o dia a dia desses deserdados, especialmente o do sírio Ibrahim, que chega à Alemanha aos 18 anos e sonha em se tornar mecânico, e o do fisioterapeuta iraquiano Qutaiba, que trabalha na enfermaria improvisada do próprio abrigo.

Previsto para ficar seis meses em Tempelhof, Ibrahim espera um ano e três meses no local, até conseguir um visto de permanência de três anos e meio na Alemanha. Inicialmente ao som de Richard Wagner, o filme retrata a cambalhota histórica sofrida pelo imponente aeroporto, de abrigo antiaéreo para nazistas a asilo humanitário na atual crise mundial de refugiados.

Aeroporto Central. De Karim Aïnouz. Alemanha/Brasil, 2018. 102 min.

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