O escritor Mário de Andrade foi crítico e vítima dos preconceitos raciais
O escritor Mário de Andrade foi crítico e vítima dos preconceitos raciais - Foto Divulgação

           O Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo presta uma formidável homenagem ao escritor Mário de Andrade ((1893-1945) e à importância da cultura a partir desta terça, com a instauração do seminário Mario de Andrade: amar e compreender, que reúne palestras especiais com convidados como Flavia Toni, Carlos Augusto Calil, João Cezar de Castro Rocha, Jorge Coli, Pedro Fragelli, Angela Teodoro Grillo. 

A importância da reflexão sobre a cultura e a identidade na ação e na obra de Mario de Andrade permeia o ciclo, cujo título é retirado da obra Aspectos da literatura brasileira, do escritor paulistano: “Reuni neste volume alguns dos ensaios de crítica literária escritos mais ou menos ao léu das circunstâncias e do meu prazer. Espero que se reconheça neles, não o propósito de distribuir, que considero mesquinho na arte da crítica, mas o esforço apaixonado de amar e compreender”, escreveu Mario.

A grande homenageada do seminário, além de Mario de Andrade, é a pesquisadora Telê Ancona Lopez, de 82 anos, professora emérita do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) e titular de Literatura Brasileira no IEB e na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo. Desde 1962, quando se formou com Antonio Candido, Telê se dedica ao estudo da obra de Mário de Andrade numa trajetória de 58 anos de vida acadêmica. É responsável por formar um quadro de pesquisadores em nível de graduação, pós-graduação e pós-doutorado. Entre 2006 e 2011, com subvenção da Fapesp, coordenou o projeto temático Estudo do processo de criação de Mário de Andrade nos manuscritos de seu arquivo, em sua correspondência, em sua marginália e em suas leituras. Organizou a publicação de inéditos do autor. Publicou, em 1996, a edição crítico-genética de Macunaíma (Coleção Archivos, Paris), e seu ensaio Mário de Andrade, Ramais e Caminhos (1972) recebeu o prêmio da APCA.

 

 

 

PROGRAMAÇÃO

18/02/2020

 

Abertura

14h às 15h15: HOMENAGEM A TELÊ ANCONA LOPEZ

Telê Ancona Lopez é professora titular do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), ministra disciplinas e orienta projetos acadêmicos, como colaboradora-sênior, nessa instituição e na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da mesma universidade (FFLCH-USP). Estuda especialmente o modernismo brasileiro, as vanguardas europeias, os gêneros de fronteira, a crítica textual e a crítica genética, tendo publicado livros e artigos nessas áreas. Foi curadora do Arquivo Mário de Andrade. Entre 2006 e 2010, coordenou o projeto temático FAPESP, que organizou os manuscritos e estudou o processo de criação do escritor. Entre 2007 e 2015, responsabilizou-se pelas edições fidedignas, acrescidas de documentos, das obras de Mário de Andrade incluídas no protocolo IEB-USP e Editora Nova Fronteira-Agir. Essa proposta prossegue em um protocolo com a Global Editora no qual saiu, em 2019, o livro inédito Aspectos do folclore brasileiro. As edições contam com a participação de pesquisadores da Equipe Mário de Andrade e de especialistas convidados. Telê dedica-se atualmente ao projeto ligado ao CNPq, Traje de arlequim: uma biografia/“autobiografia” de Mário de Andrade. É professora emérita do IEB-USP.

 

 

MESA

15h30 às 18h15: MÁRIO DE ANDRADE E A ESCRITA BIOGRÁFICA: COMO A VIDA EXPLICA A OBRA

Debate sobre a vida e a obra do modernista, em abordagem às biografias já publicadas e pesquisas em andamento.

Com Jason Tércio, escritor, jornalista e mestre em Literatura Brasileira na Universidade de Brasília. Publicou sete livros, de ficção e não-ficção, entre eles a biografia de Mário de Andrade, Em busca da alma brasileira, premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte como a melhor biografia lançada em 2019. Também é autor da peça “Kafka e Lim a Barret o jogando sinuca em Bruzundanga”.

 

Com Eduardo Jardim, autor de Mário de Andrade: Eu sou trezentos: vida e obra (Edições de Janeiro, 2015). Doutor em filosofia pela UFRJ, é especialista em modernismo brasileiro, tendo publicado também Mário de Andrade: A morte do poeta (Record, 2005) e Limites do moderno: o pensamento estético de Mário de Andrade (Relume Dumará, 1999).

 

Com Telê Ancona Lopez, professora titular e emérita do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP).

 

Mediação de Marcos Antônio de Moraes, doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo. É pesquisador e docente do Instituto de Estudos Brasileiros e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (USP). Especialista nos estudos epistolográficos, publicou, entre outros títulos, Correspondência Mário de Andrade & Manuel Bandeira (IEB/Edusp, 2001, prêmio Jabuti), Me escreva tão logo possa (Salamandra, 2005) e Orgulho de jamais aconselhar: a epistolografia de Mário de Andrade (Edusp/Fapesp, 2007).

 

19/02/2020

 

14h às 16h15: MÁRIO DE ANDRADE E O CONCERTO DAS NAÇÕES: PROJETO DE BRASILIDADE

 

Mesa 1

Obra interrompida: entre a revolução e a utopia

A ópera Café, de Mário de Andrade, assim como o romance homônimo, tem como tema a crise econômica do final da década de 1920 e a revolução de 1930 no Brasil. Enquanto o romance reflete sobre os limites dessa revolução e o seu sentido histórico, a ópera, por outro lado, apresenta não a revolução em si, mas a utópica: a revolução socialista. Para discutir esse projeto inacabado e situá-lo perante as preocupações sociais moventes na complexidade do pensamento de Mário de Andrade.

 

Com Flavia Toni, livre-docente e professora titular da USP, pesquisadora no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP). Foi do Conselho Editorial da Revista do IEB entre 2017 e 2018 e é vice-diretora da instituição. Desde 2017 ocupa a cadeira de número 40 da Academia Brasileira de Música, cujo patrono é Mário de Andrade, antes ocupada por Renato Almeida e por Vasco Mariz. Café, uma ópera de Mário de Andrade: estudo e edição anotada, foi sua tese de livre-docência no IEB, em 2004.

 

Com Pedro Fragelli, doutor em Literatura Brasileira pela USP. Em 2013 realizou estágio pós-doutoral na Universidade de Paris 3 Sorbonne Nouvelle, onde estudou a ópera Café, de Mário de Andrade. Entre 2014 e 2018, desenvolveu pesquisa de pós-doutorado em torno da obra de Mário de Andrade, no IEB/USP.

 

Com Tatiana Longo Figueiredo, doutora pela FFLCH-USP, com pós-doutorado como bolsista da FAPESP no IEB-USP. Seu doutoramento, em 2009, Café: o trajeto da criação de um romance inacabado de Mário de Andrade, deu origem à edição fidedigna da obra em 2015. Ao lado de Telê Ancona Lopez, responsabilizou-se pela edição de Macunaíma e de Poesias completas.

 

16h30 às 18h30

 

Mesa 2

Mario de Andrade e a gestão pública da cultura

A criação do Departamento de Cultura da Municipalidade de São Paulo (1938) constituiu um marco inovador para a elaboração de ações políticas que mesclavam cultura e educação em São Paulo. Mário de Andrade ocupou o cargo de Diretor do Departamento e também de Chefe da Seção de Expansão Cultural, entre 1935 e 1938. Para discutir o contexto de criação e a presença do modernista à frente das ações realizadas no Departamento, esta mesa reúne pesquisadores e especialistas em gestão e política cultural.

 

Com Isaura Botelho, graduada em Literaturas Vernáculas, com mestrado em Comunicação (UFRJ) e doutorado em Ação Cultural (USP). Já atuou em instituições como Funarte e Memorial da América Latina, além de ter coordenado o setor de pesquisas e planejamento da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura; é consultora do Curso Sesc de Gestão Cultural.

 

Com Carlos Augusto Calil, cineasta, ensaísta, crítico e professor na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Com ampla experiência em gestão cultural (Embrafilme, Cinemateca Brasileira, Centro Cultural São Paulo), foi o responsável pelas reformas da Biblioteca Mário de Andrade, do Theatro Municipal e da Casa Mário de Andrade, quando ocupou o cargo de Secretário de Cultura da cidade de São Paulo. Autor de Me esqueci completamente de mim, sou um departamento de cultura (IMESP, 2016).

 

Com Carlos Sandroni, doutor em Musicologia pela Universidade de Tours, França. É professor-adjunto do Departamento de Música da Universidade Federal de Pernambuco desde 2000 e pesquisador do CNPq. É autor do livro Mário de Mário contra Macunaíma: cultura e política em Mário de Andrade (Vértice, 1988).

 

20/02/2020

 

14h às 16h15: REDES DE SOCIABILIDADE

 

Mesa 1

 

Mário de Andrade folclorista e africanista

Pretende-se discutir as contribuições de Mário de Andrade para os estudos de folclore no país por ocasião do lançamento recente do livro Mário de Andrade: Aspectos do folclore no Brasil (2019). Além de abordar os estudos sobre folclore brasileiro, visa-se, ainda, trazer luz a uma faceta ainda pouco conhecida de Mário de Andrade: sua inserção em uma rede de sociabilidade formada por intelectuais que se dedicavam a estudar os legados africanos em diversos países pelo mundo. Essa rede posiciona o escritor como uma referência nos estudos da diáspora africana no Brasil.

 

Com Angela Teodoro Grillo, mestre e doutora (FFLCH-USP). Autora do livro Sambas insonhados: o negro na perspectiva de Mário de Andrade (Ciclo Contínuo, 2016) e organizadora do livro Mário de Andrade: Aspectos do folclore no Brasil (Global, 2019). Atualmente, leciona língua portuguesa e cultura brasileira na Zhejiang Yuexiu University of Foreign Languages (China).

 

Com Ligia Fonseca Ferreira, docente de graduação e pós-graduação em Letras da UNIFESP. Possui doutorado pela Universidade de Paris 3 – Sorbonne acerca da vida e obra de Luiz Gama (com livro homônimo prestes a ser lançado pelas Edições Sesc), e pós-doutorado em epistolografia franco-brasileira pelo IEB-USP.

 

Com Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti, professora titular do Departamento de Antropologia Cultural e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ. É autora de Carnaval carioca: dos bastidores ao desfile (UFRJ, 2006).

 

16h30 às 18h30

 

Mesa 2

 

Formação das nacionalidades latino-americanas

Qual o lugar dos intelectuais na conformação das representações nacionais? Mário de Andrade estava inserido em uma rede de sociabilidade de artistas e intelectuais latino-americanos do início do século XX, tendo cultivado correspondência com vinte e seis interlocutores, entre uruguaios, peruanos, chilenos e colombianos. Esses intelectuais – Carlos Vega (Argentina), Alexo Carpentier e Fernando Ortiz (Cuba), entre outros – estavam unidos pelo espírito da época: encontrar as bases para a formação das diversas nacionalidades latino-americanas, países que têm em comum, nas palavras do próprio poeta, “uma cultura importada”.

 

Com Julio Moracen Naranjo, antropólogo, com doutorado na USP e pós-doutorado na Université de Perpignan Via Domitia; fez especialização em Antropologia na Universidade da Havana e Etnologia ed Etnoantropologia na Universitá Degli Studi Sapienza, em Roma. Atualmente é professor da UNIFESP.

 

Com João Cezar de Castro Rocha, professor titular de Literatura Comparada da UERJ. Autor de 11 livros e organizador de mais de 20 títulos, entre eles, Antropofagia Hoje? Oswald de Andrade em cena (É Realizações, 2011). Recebeu o Prêmio Mário de Andrade (Biblioteca Nacional, 1998) e o Prêmio de Crítica Literária (ABL, 2014).

 

Com Raúl Antelo, professor e escritor, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo e professor titular de Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina. Autor de Na ilha de Marapatá (Mário de Andrade lê os hispano-americanos (HUCITEC, 1986), Imágenes de América Latina (EDUNTREF, 2014) e Maria com Marcel Duchamp nos Trópicos (UFMG, 2010), entre outros títulos. Foi pesquisador do CNPq, Guggenheim Fellow e professor visitante nas Universidades de Yale, Duke, Texas at Austin, Maryland e Leiden, na Holanda.

 

Seminário Mário de Andrade: amar e compreender. Centro de Pesquisa e Formação do Sesc (Rua Dr. Plinio Barreto, 285, 4º andar, Tel: 3254-5600). De 18 a 20 de fevereiro de 2020, terça a quinta, das 14h às 21h. 70 vagas. Preço: R$ 50,00 (inteira); R$ 25,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública); R$ 15,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes). Solicitações pelo e-mail centrodepesquisaeformacao@sescsp.org.br.

 

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