Cena de Barrela - O Melhor do Teatro em 2019
Cena de Barrela - Foto Cristina Jatobá

A classe teatral está atônita diante da ascensão e transmutação de um dos seus, Roberto Alvim, atual secretário Nacional de Cultura. Alguém que para ganhar manchetes é capaz de xingar Fernanda Montenegro mereceria o pior dos castigos para um profissional da dramaturgia: o silêncio. Mas o que houve, de real e vivo, foi um silêncio ruidoso, perceptível para quem acompanha o teatro de perto. Montagens repaginadas, como Barrela, de Plínio Marcos, e Gota d’Àgua {Preta}, de Chico Buarque e Paulo Pontes, ganharam destaque entre as diversas produções cênicas na lista “O melhor do teatro em 2019”.

Durante a ditadura civil-militar, o teatro serviu como uma espécie de refúgio para as forças progressistas. Era lá que se esperava que os gritos silenciados pela repressão poderiam aparecer. Hoje, as companhias e os grupos teatrais lutam o quanto podem, e uma das melhores formas de resistência é produzindo livremente a arte que os atuais mandatários tanto abominam. Foi o que sempre fez o grande Antunes Filho, falecido em maio. Personagem maior do teatro brasileiro por sua incansável busca pela renovação estética, política e cênica das décadas de 1960 e 1970, Antunes morreu neste ano bruto de 2019.

1) Barrela, Cemitério de Automóveis
A notável coincidência de propósitos entre a dramaturgia do santista Plínio Marcos e a direção de Mario Bortolotto atinge aqui um dos momentos mais tocantes, com a fauna de deserdados de Plinio encarnada na ladeira existencial dos atores da trupe de Bortolotto. Alguém tem que ir ao Inferno para trazer alguma iluminação. (Jotabê Medeiros)

2) Gota d’Água {Preta}. Direção de Jé Oliveira.
A montagem do dramaturgo Jé Oliveira, também ator, diretor e fundador do Coletivo Negro, traz os mesmos componentes da produção original, porém com uma reparação histórica, evidente já no acréscimo de {Preta} ao título. O elenco é predominantemente negro. Só por isso já merece estar na lista “O melhor do teatro em 2019”. (Eduardo Nunomura)

3) Jardim de Inverno. Direção de Marco Antônio Pâmio

Cena de Jardim de Inverno - Foto Edson kumasaka
Cena de Jardim de Inverno – Foto Edson kumasaka

A montagem vivencia o cotidiano do casal April e Frank Wheeler. Apesar de bem-sucedidos, eles se percebem infelizes. Decidem se mudar para construir uma realidade diferente, longe daquela vida mecânica e vazia representada pelos vizinhos. Mas os acontecimentos os puxam de volta para os trilhos do senso comum. Como fazer diferente? (Lívia Lemos)

 

Veja quem votou na categoria “O melhor do teatro em 2019”:

Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!

Mascote FAROFAFÁ Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.

Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:

1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.

2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.

Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!

Escolha como apoiar

Saiba mais em farofafa.com.br/apoie

PUBLICIDADE

1 COMENTÁRIO

  1. O amor de Zélia Gattai e Jorge Amado na peça “A casa do Rio vermelho”, na atuação de Luciana Borghi foi Espetacular! Fui duas vezes e volto!!

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome