"Maquinista" foi encenada ontem pela companhia cearense Pavilhão das Magnólias, na programação da 14ª. Semana do Teatro no Maranhão. Foto: Zema Ribeiro

“Maquinista”, da companhia cearense Pavilhão da Magnólia, é uma joia. Oito atores em cena passeiam com talento e desenvoltura entre comédia e musical, popular e erudito, num flerte entre Ariano Suassuna e William Shakespeare.

O texto de Astier Basílio dirigido por Herê Aquino conta a história de Antonio Maquinista, que em 1926, em Floresta/PE, entrou para o bando de Lampião para escapar da ira da população local, por ele enganada.

O protagonista, alfabetizado, um luxo para a época, arrecadava antecipadamente doações e valores de ingressos para uma suposta peça que encenaria. O golpe já havia sido dado noutras localidades, mas em Floresta, a única saída foi virar cangaceiro. A palavra golpe, aliás, aparece aqui e ali ao longo do texto, todos sabemos o porquê.

Entre xaxado e repente, o bom humor das lavadeiras contra os patrões/poderosos, “Maquinista” traduz o Brasil, não só daquela época, entre a cultura, o famoso jeitinho brasileiro e a violência – o que temos de melhor e pior.

Ao final, aplaudidos de pé, os atores erguem cartazes com inscrições como “LGBTQI+ vivo”, “Marielle presente”, “Ditadura nunca mais” e “Censura nunca mais”, agradecendo a manutenção de espaços como a 14ª. Semana de Teatro no Maranhão, em cuja programação a peça foi encenada ontem (19), no Teatro Arthur Azevedo.

Programação – Hoje (20), das 16h às 18h, na Sala do Coro (Teatro Arthur Azevedo), o grupo ministra o workshop “Perspectivas sobre as potências para um trabalho continuado dentro do grupo”.

O evento acontece até o dia 24, além do Teatro Arthur Azevedo, que o promove, em espaços como o Anfiteatro Betto Bittencourt (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), Teatro Sesc Napoleão Ewerton (Condomínio Fecomércio, Av. dos Holandeses, Jardim Renascença II) e Pequena Companhia de Teatro (Rua do Giz, 295, Praia Grande), cujo diretor Marcelo Flecha é homenageado nesta edição.

Uma exposição com obras, troféus e objetos pessoais de Flecha ocupa o foyer do Arthur Azevedo. Três peças da Pequena Companhia de Teatro, escritas e dirigidas pelo homenageado, integram a programação: “Pai e Filho” (55 minutos, classificação indicativa: livre; inspirada em “Carta ao pai”, de Franz Kafka) será encenada na sede da Pequena Companhia de Teatro sexta-feira (22), às 18h30; “Velhos caem do céu como canivetes” (60 minutos, livre; inspirada em “Um señor muy viejo com unas alas enormes”, de Gabriel García Márquez), sábado (23), às 19h30, no Teatro Arthur Azevedo; e “Ensaio sobre a memória” (70 minutos, 12 anos; inspirada em “A outra morte”, de Jorge Luis Borges), domingo (24), às 19h, também no TAA.

Toda a programação é gratuita.

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