Como uma rádio amadora dentro de um projeto escolar no sertão da Paraíba virou um hit no Soundcloud. Preconceituosos não leiam esse texto

Wesley Henriques da Silva, em Itaporanga, sertão paraibano - Foto: Facebook
Wesley Henriques da Silva, em Itaporanga, sertão paraibano – Foto: Facebook
Começava o ano letivo de 2013 na escola estadual de ensino médio Adalgisa Teodulo da Fonseca, no município de Itaporanga, cidade do Vale do Piancó, no interior da Paraíba. A diretora da escola Valmira Herculano Caiana resolveu propor uma rádio amadora como um novo projeto para os alunos. O objetivo era motivar a participação ativa dos jovens. Sem saber, ela acabou permitindo que encontros inusitados como o do grupo de grunge Nirvana com o forró ostentação da banda Luxúria acontecessem.

Dois anos antes, a escola estadual havia sido contemplada pelo Ministério da Educação (MEC) com o Projeto Ensino Médio Inovador (Proemi). Um dos gargalos do ensino no país é a evasão e o Proemi trabalha para evitar esse problema, procurando aumentar o tempo de permanência dos alunos na escola. Currículos mais dinâmicos que sejam mais interessantes aos estudantes e correspondem às demandas da sociedade são incentivados. Uma rádio amadora comandada pelos alunos se encaixava perfeitamente.

Dois DJs, os alunos Wesley Henriques da Silva e José Hilton, que cursavam o segundo ano do ensino médio, logo começaram a se destacar. Os dois amigos eram a nova sensação na hora do intervalo, quando os estudantes podiam pedir as músicas que gostavam. Mas no sertão paraibano não havia um só gosto musical que pudesse satisfazer a todos os jovens. Uma série de reclamações logo surgiu. “Quando a gente tocava forró, o pessoal do rock reclamava e vice-versa”, lembra Wesley.

O jovem Wesley, que desde 2012 já produzia músicas em um netbook que havia ganho de sua mãe, teve a ideia maluca de juntar os ritmos mais populares em sua cidade, o forró e a arrochadeira, com as músicas de rock mais pedidas pelos alunos.

A primeira música foi “Before I Forget”, da banda Slipknot, em versão forró-metal:

Depois, nasceu um novo rock-forró, com “Back in Black”, do AC/DC:

E por que não transformar o clássico “We Will Rock You”, do Queen, em uma versão xote:

A mistureba parecia não ter limites. “Through the Fires and Flames”, da virtuosa Dragonforce, virou outro forró:

As reclamações não só diminuíram, como Wesley ultrapassou os limites da escola e ganhou destaque na rede social de músicas Soundcloud. Algumas de suas músicas já foram escutadas mais de 100 mil vezes. “Before I Forget”, sua primeira produção, atingiu a marca de quase 250 mil reproduções.

Wesley afirma que não faz mashups. Os vocais e instrumentais originais das músicas são baixados na internet e a produção começa a partir deles. Com o sucesso de suas produções inusitadas, Wesley, que tem 19 anos, agora se dedica ao estúdio que criou, Home Studio 7 Gravações. A sua empresa produz cerca de 12 músicas de variadas bandas por mês.

Em uma época em que amizades são desmanchadas por discussões no Facebook e onde os encontros e debates entre opiniões diferentes seja tão escasso, é reconfortante ver que alguém da Paraíba promova o surreal encontro entre Red Hot Chilli Peppers e Forró Boys:

 
E aqui vai o encontro de Nirvana com a banda Luxúria:

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