a deputada luiza erundina, o deputado pedro eugênio (autor do projeto da lei que substituirá a lei rouanet), a atriz esther góes, a educadora ana cecília simões (diretora de programas especiais do município de SP) e a atriz denise weinberg

“Como é que eu, há 10 anos, vivia do teatro? E agora, com a carreira consolidada, com trabalhos em todos os setores, não consigo mais viver do teatro? Antes, tínhamos o FMI pendurado nas nossas costas. Agora, que somos um país que cresce, um país emergente, agora que nos olham com inveja, não conseguimos impulsionar a nossa cultura? Não compreendo isso.


Nós nos tornamos reféns de burocratas da Petrobrás, do Banco do Brasil, sofremos uma interferência ditatorial de pessoas da área burocrática, que não entendem nada de cultura, de teatro. Prosseguimos fazendo nossas peças na marra.

A bilheteria de nossa montagem atual, no Rio, é de R$ 3. É uma humilhação.

É como disse Aristóteles: uma sociedade que não liga para a sua cultura é uma sociedade obscurantista. O que presenciamos é uma maquiagem enorme, números e ações que parecem apenas destinados à publicidade.

Não adianta dar dinheiro para as produções, elas têm de ter público. Tem de haver uma política para o desenvolvimento cultural. É preciso melhorar a educação, melhorar as condições de acesso ao conhecimento.

Eu digo a vocês: estou me acostumando a receber roteiros feitos por pessoas mal preparadas, virou uma rotina. Roteiros nos quais a pessoa escreve “edifício alto” com U.

Também é uma balela essa história de a companhia teatral ter de oferecer a contrapartida social. Isso não funciona. De repente, eu vou a São Bernardo com uma peça após apresentá-la durante uma temporada aqui e o cara lá não está a fim. A gente sente que não está a fim. Teve caso de gente que ofereceu um papel. “Não precisa apresentar nada, a gente atesta aqui que vocês apresentaram e fica por isso mesmo”.

Estamos vivendo a pior ditadura cultural dos últimos 40 anos”

DEPOIMENTO DA ATRIZ, PRODUTORA E DIRETORA DE TEATRO DENISE WEINBERG, DO GRUPO TAPA, DURANTE DEBATE DO FÓRUM DE CULTURA E EDUCAÇÃO, NO SINDICATO DOS JORNALISTAS, NO DIA 21, EM SÃO PAULO

Logo após, houve uma saia justa no debate. O ator e produtor Ney Piacentini acusou o deputado Pedro Eugênio (PT-PE), relator do Procultura (anteprojeto da nova Lei de Incentivo à Cultura, prestes a ser votada no Congresso Nacional) de copiar texto e argumentos do advogado Fábio Cesnik (um defensor da manutenção do mecanismo de renúncia fiscal) em seu projeto.

Pedro Eugênio reagiu e chamou Piacentini de “mentiroso”.

O relato disso é do próprio Piacentini, que julga que o projeto de Pedro Eugênio configura “um golpe maior contra a cultura nacional do que a primeira edição da Lei Rouanet”.

Artistas presentes também mencionaram Henilton Menezes, responsável pelo Fomento do Ministério da Cultura, como uma das eminências pardas por trás do projeto que Eugênio vai levar ao Congresso.

Ester Góes também considera que o sistema de dar aos departamentos de marketing das empresas a decisão sobre o investimento em cultura no País tem provocado certas perversões no cenário cultural.

Eu já tinha saído do local, reporto aqui o que me contaram. O depoimento de Denise eu anotei, porque achei contundente e espontâneo, sem parti pris.

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